Guimarães 2026 financia app para encontrar percursos mais saudáveis e sustentáveis

Projeto da Universidade do Minho e do ISAVE combina dados ambientais, urbanos e de saúde para recomendar percursos personalizados. O protótipo do “Clear Paths” deverá estar disponível em dezembro e será inicialmente testado no Parque da Cidade.

© Universidade do Minho

Uma nova aplicação inteligente de rotas verdes personalizadas está a ser desenvolvida em Guimarães por uma equipa da Universidade do Minho (UMinho) e do Instituto Superior de Saúde (ISAVE). O projeto, designado “Clear Paths – Rotas Ambientais Acessíveis Lideradas por Cidadãos/Percursos Acessíveis Personalizados para Saúde e Segurança”, pretende incentivar a mobilidade ativa, promover a inclusão e ajudar a preparar as cidades para os desafios das alterações climáticas.

Financiado pela comissão científica de Guimarães 2026 – Capital Verde Europeia, o projeto quer envolver os próprios cidadãos na construção da ferramenta e ambiciona tornar-se uma solução de referência para outras cidades europeias.

O primeiro território de teste será o Parque da Cidade de Guimarães, estando prevista, numa fase posterior, a possibilidade de alargar a experiência a outros espaços e corredores verdes do concelho, como o corredor verde de Creixomil ou o Parque das Taipas.

Aplicação vai avaliar conforto, segurança e condições ambientais

A grande particularidade do projeto está na combinação de diferentes tipos de informação para determinar quais os percursos mais adequados a cada pessoa.

Nesta primeira fase, os investigadores estão a reunir e a analisar dados relacionados com temperatura, qualidade do ar, ruído, cobertura vegetal, declives, sombra, acessibilidade e segurança. Através de ferramentas de modelação e teledeteção, estes dados vão contribuir para a criação de uma grelha de indicadores denominada Green Comfort Score. A intenção é perceber de que forma as condições ambientais influenciam a utilização dos diferentes percursos e, posteriormente, permitir que a aplicação faça recomendações personalizadas.

A equipa está também a envolver os futuros utilizadores no desenvolvimento da solução, através de atividades destinadas a identificar barreiras, preferências e expectativas. “Envolver a comunidade é essencial para garantir que a solução responde às necessidades reais, pois muitas barreiras e perceções seriam dificilmente captadas apenas com dados técnicos”, explica Giorgio Pace, investigador do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da UMinho.

O investigador considera que o projeto constitui “um verdadeiro laboratório vivo e muito multidisciplinar”, ao cruzar áreas como ciência, ambiente, saúde e participação cidadã.

Percursos pensados para diferentes perfis

Na segunda fase será desenvolvida a aplicação digital propriamente dita, cruzando os dados ambientais recolhidos com diferentes perfis de utilizador. Desta forma, a app poderá recomendar percursos em função das características e necessidades de cada pessoa.

A preocupação com a saúde está no centro desta abordagem. A ferramenta pretende, por exemplo, identificar trajetos com menor exposição ao calor extremo, à poluição atmosférica e ao ruído, tornando-os particularmente interessantes para pessoas mais vulneráveis.

“Os níveis de atividade física em Portugal continuam baixos e as doenças crónicas têm aumentado, por isso pensamos em percursos com menor exposição ao calor extremo, à poluição do ar e ao ruído, ideais para todos, em especial os grupos vulneráveis”, explica Giorgio Pace.

Além da componente de mobilidade e saúde, a aplicação deverá disponibilizar informação sobre biodiversidade, habitats e espécies que podem ser observadas ao longo dos percursos. A componente ambiental pretende, assim, transformar cada deslocação numa oportunidade de contacto com a natureza e de reforço da literacia ecológica.

Projeto envolve cinco investigadores

A equipa de investigação é constituída por Giorgio Pace e Renato Henriques, da Escola de Ciências da UMinho, Dalila Durães e João Miguel Nóbrega, da Escola de Engenharia da UMinho, e Andrea Ribeiro, do ISAVE. O projeto conta ainda com o apoio do Laboratório da Paisagem.

Depois da construção da aplicação, a fase final prevê a realização de testes no terreno com diferentes perfis de utilizadores. Serão avaliadas a facilidade de utilização da ferramenta, o seu impacto na saúde e no bem-estar e a possibilidade de replicação do modelo noutras cidades. O protótipo do Clear Paths deverá estar disponível em dezembro.

O projeto inclui ainda ações de educação e comunicação de ciência, procurando envolver a comunidade vimaranense no processo e dar a conhecer os resultados alcançados.

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