Guimarães atribui Medalha de Ouro a Eduardo Ribeiro como reconhecimento do seu legado

Presidente da Câmara, Ricardo Araújo, anunciou atribuição da Medalha de Ouro da Cidade, com entrega no 24 de junho, e futura integração do nome na toponímia vimaranense “em momento oportuno”

© Carolina Rodrigues / Mais Guimarães

Guimarães assinalou a abertura oficial das comemorações do centenário de Eduardo Ribeiro com a tomada de posse da Comissão de Honra e a apresentação do Programa Comemorativo, numa sessão marcada por intervenções muito centradas na memória biográfica, na luta antifascista e no legado cívico do engenheiro vimaranense.

A cerimónia reuniu familiares, representantes institucionais e membros da Comissão de Honra, num momento em que foi reiterada a intenção de valorizar publicamente uma figura descrita como central na história democrática e na evolução urbanística e associativa da cidade.

“Uma vida inteira atravessada pela resistência e pelo trabalho”, o testemunho de Inês Ribeiro

A intervenção mais emotiva coube a Inês Ribeiro, neta de Eduardo Ribeiro, que procurou reconstruir a trajetória do avô através de episódios pessoais e políticos, sublinhando a ligação entre a sua vida profissional, a atividade cívica e a resistência ao Estado Novo.

Num dos momentos mais marcantes, recordou o período de prisão e tortura em Caxias, mas também o percurso académico tardio e exigente, sublinhando que o engenheiro conciliou formação com trabalho ao longo de toda a vida, até concluir a licenciatura em Engenharia Civil.

Lembrou ainda a sua participação em movimentos oposicionistas, o envolvimento em associações culturais e técnicas, e a produção escrita e artística, incluindo artigos, ensaios e pintura, numa “vontade de aprender insaciável, mas também ato de resistência.”

Comissão de Honra sublinha dimensão democrática e cívica do legado

Também César Machado, em nome da Comissão de Honra, destacou o caráter multifacetado de Eduardo Ribeiro, sublinhando a ligação entre a sua intervenção profissional e a ação política e cívica. César Machado considerou os depoimentos de Eduardo Ribeiro “fundamentais” no livro Guimarães – Daqui houve Resistência, que publicou, e que veio recentemente a transformar-se em série televisiva.

O interveniente referiu que a memória do engenheiro deve ser entendida como parte da construção democrática local, defendendo que a sua trajetória reflete uma vida dedicada à intervenção pública e à transformação social. A intervenção de César Machado centrou-se na ideia de continuidade histórica, sublinhando que o legado de figuras como Eduardo Ribeiro permanece ativo sempre que os seus princípios continuam a orientar a vida coletiva.

Lembrou ainda os Democratas de Braga, movimento que, considerou, é vais valorizado a nível nacional do que local, e “está na altura, pelo centenário de Eduardo Ribeiro, de prestar a homenagem ao movimento que ele merece”, vincou.

Ricardo Araújo anuncia Medalha de Ouro e futura toponímia

O presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, centrou a sua intervenção na valorização do legado do engenheiro e na importância do reconhecimento público da sua ação cívica, política e profissional.

“Hoje Guimarães agradece”, afirmou, sublinhando que a cidade deve a figuras como Eduardo Ribeiro uma parte essencial da sua construção democrática e da sua evolução enquanto comunidade. O autarca destacou que o momento é de homenagem, mas também de responsabilidade institucional perante a memória coletiva.

Ricardo Araújo anunciou que irá propor a atribuição da Medalha de Ouro da Cidade de Guimarães a Eduardo Ribeiro, distinção que será entregue no próximo dia 24 de junho, enquadrando-a como o mais elevado reconhecimento municipal. “Trata-se de um compromisso com a memória e com os valores que ele defendeu”, referiu, acrescentando que a decisão pretende sublinhar a dimensão cívica e democrática da sua trajetória.

O presidente da Câmara referiu ainda a intenção de integrar o nome de Eduardo Ribeiro na toponímia vimaranense, embora tenha salientado que essa medida será concretizada “em momento oportuno”.

Ao longo da intervenção, Ricardo Araújo destacou repetidamente a importância de preservar o legado de resistência e de participação cívica associado a Eduardo Ribeiro, sublinhando que a democracia local se constrói também através do reconhecimento daqueles que contribuíram para a sua consolidação.

Na próxima  sexta-feira, 19 de junho, celebram-se os 100 anos do nascimento de Eduardo Ribeiro. No Largo Condessa do Juncal, no centro histórico, dar-se-á a interpretação ao vivo da banda sonora da série “Daqui houve resistência”, dirigida por Manuel d’Oliveira, acompanhada da projeção de imagens, num momento que evoca a memória da oposição ao Estado Novo.

Em Guimarães, Eduardo Ribeiro é recordado como uma das figuras que mais se destacou na resistência antifascista, ao lado de Joaquim Santos Simões.

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