Guimarães formaliza acordo para instalação de fábrica de satélites óticos e reforça aposta no setor aeroespacial
O município de Guimarães formalizou, na manhã desta segunda-feira, 04 de maio, no Salão Nobre da Câmara Municipal, um acordo com o CEiiA para a instalação de uma unidade industrial dedicada ao desenvolvimento de satélites óticos. A iniciativa representa um marco na estratégia de posicionamento do concelho na economia do espaço.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães
A cerimónia contou com a presença do secretário de Estado da Economia, João Rui Ferreira, do presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, e do CEO do CEiiA, José Rui Felizardo, que destacaram a relevância estratégica do investimento, tanto a nível local como nacional.
O projeto prevê a instalação da fábrica nas antigas instalações da Fábrica do Alto, em Pevidém, num espaço que está já a ser alvo de obras de reabilitação. Antes da assinatura do acordo, a comitiva realizou uma visita ao local, onde foi possível observar o arranque dos trabalhos de transformação de uma antiga unidade têxtil num centro tecnológico de ponta. Segundo Ricardo Araújo, a expectativa é que a infraestrutura possa estar parcialmente operacional dentro de cerca de seis meses.
A nova unidade será dedicada ao desenvolvimento de satélites óticos de alta resolução, uma tecnologia com aplicações na observação da Terra, monitorização ambiental, gestão de riscos e apoio ao planeamento urbano. Trata-se de um setor considerado estratégico a nível europeu, pela sua ligação às áreas da segurança, clima e inovação digital, e que integra a Estratégia Nacional para o Espaço.

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De acordo com o CEiiA, o projeto inclui uma área total de cerca de 1.700 metros quadrados, com diferentes salas que ocupam aproximadamente 540 metros quadrados, além de equipamentos especializados para testes de vibração e simulação de ambiente espacial. A unidade permitirá reforçar as capacidades de montagem, integração e testes, fundamentais para o desenvolvimento de satélites de grande dimensão, alguns com cerca de três metros de altura e peso na ordem dos 380 quilos.
Nas suas declarações, José Rui Felizardo sublinhou que este investimento representa “um compromisso com o futuro”, inserido numa estratégia mais ampla que visa posicionar Portugal como um dos países líderes na área do espaço na Europa. O responsável destacou ainda a parceria com o grupo industrial alemão OHB e a ambição de desenvolver cadeias de fornecimento nacionais robustas, com níveis crescentes de incorporação industrial portuguesa.
O CEO do CEiiA referiu também que o polo de Guimarães assume um papel central na articulação entre desenvolvimento tecnológico, industrialização e testes, complementando outros polos nacionais ligados ao acesso ao espaço e à defesa. “A nossa ambição vai além desta fábrica: queremos criar um ecossistema industrial capaz de gerar valor e atrair investimento”, afirmou.

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Para Ricardo Araújo, este projeto representa “uma grande oportunidade para Guimarães se afirmar na economia do espaço”, permitindo aproximar o conhecimento científico da indústria e criar emprego qualificado. O autarca destacou a importância de transformar o tecido económico local, historicamente ligado aos setores têxtil e do calçado, orientando-o para áreas de maior valor acrescentado.
“Estamos a concretizar uma visão para o concelho, que passa por transformar Guimarães, berço da nação, no berço da inovação”, afirmou. O presidente da Câmara sublinhou ainda que este investimento não só cria novas oportunidades diretas, como poderá impulsionar outras indústrias da região a explorar novos mercados e tecnologias.
O responsável destacou também o caráter simbólico e estratégico da reconversão da antiga Fábrica do Alto. “Estamos a pegar num espaço ligado à tradição industrial e a transformá-lo num centro de produção de tecnologia avançada. Não é uma rutura com o passado, é uma evolução que honra essa herança”, referiu.

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A criação de emprego qualificado é outro dos pontos centrais do projeto. Embora ainda sem números definitivos, Ricardo Araújo apontou para a criação de “dezenas de postos de trabalho altamente qualificados e bem remunerados”, com potencial de crescimento à medida que o investimento se expandir. O autarca acredita ainda que o impacto indireto poderá ser significativo, através da atração de empresas complementares e da fixação de talento.
A iniciativa envolve também entidades académicas, como a Universidade do Minho, reforçando a ligação entre investigação, formação avançada e aplicação industrial. Este alinhamento é visto como essencial para garantir que o conhecimento produzido se traduz em valor económico e oportunidades concretas no território.
Por sua vez, João Rui Ferreira destacou o caráter proativo do município e a importância de projetos como este para o futuro do país. O governante considerou que a instalação desta unidade representa “o início de uma viagem” e um exemplo de como a inovação pode ser transformada em valor económico real.
O secretário de Estado sublinhou ainda o potencial do setor espacial, que deverá crescer significativamente a nível global, e a importância de Portugal se posicionar como um ator relevante. “Não estamos apenas a falar de utilizar tecnologia, mas de a desenvolver e industrializar, criando valor no país”, afirmou.
Para o governante, projetos como o de Guimarães demonstram a capacidade de ligar setores com tradição industrial a novas áreas tecnológicas, promovendo uma transformação sustentável e geradora de riqueza. Destacou ainda o papel da qualificação e da retenção de talento, num contexto em que cursos como Engenharia Aeroespacial atraem alguns dos melhores estudantes do país.





