Proteção Civil apresenta o plano de combate a incêndios rurais na região do Ave

O recinto do Santuário da Penha recebeu, esta quarta-feira, a apresentação do Plano de Operações Sub-Regional do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) 2026, promovida pelo Comando Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Ave.

© Rodrigo Marques/Mais Guimarães

A sub-região do Ave vai contar com mais de 500 operacionais no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) durante a fase de maior risco, entre julho e setembro. A apresentação decorreu esta terça-feira, na Penha, em Guimarães, onde responsáveis da proteção civil destacaram a importância da prevenção e da rapidez de resposta no terreno.

A comandante sub-regional da Proteção Civil do Ave, Celina Oliveira, explicou que o dispositivo “assenta fundamentalmente em três pilares fundamentais que garantem uma resposta operacional mais integrada, mais eficaz e mais segura perante os incêndios rurais”.

Na fase Delta, considerada a mais crítica, o dispositivo contará com “531 operacionais”, dos quais “475 operacionais são para ataque inicial” e “56 operacionais para ataque ampliado”, envolvendo bombeiros, GNR, PSP, Força Especial de Proteção Civil, ICNF e municípios.

Durante a apresentação, a responsável destacou também os resultados alcançados na região. “O sucesso do ataque inicial na sub-região do Ave é de 90,58%”, afirmou, salientando que a maioria dos incêndios foi dominada nos primeiros 90 minutos.

Os dados apresentados revelam que, em 2025, a sub-região registou 470 ocorrências relacionadas com incêndios rurais, responsáveis por cerca de 1.751 hectares de área ardida. Entre as principais causas identificadas estão os incêndios intencionais e os comportamentos negligentes.

A sessão ficou marcada pela intervenção de Roriz Mendes ,Juiz da Irmandade de Nossa Senhora da Penha, que defendeu uma mudança na forma como o tema é abordado. “Eu não gosto nada desta palavra. Eu gosto mais da prevenção dos fogos rurais”, afirmou, criticando a associação frequente ao conceito de “combate”.

O responsável destacou ainda o trabalho realizado na Penha ao longo das últimas décadas, sublinhando que “desde 96 até hoje, 30 anos, no cume da montanha, não temos uma ignição registada”.

Num discurso marcado por referências emocionais e pela valorização do património natural da Penha, Roriz Mendes considerou o espaço como “o pulmão verde” e “a joia da natureza” de Guimarães, alertando para a necessidade de proteger um território que recebe milhares de visitantes ao longo do ano.

“Se acontecer aqui uma ignição, só daqui a 100 anos é que voltamos a ter o cenário verde que temos hoje”, alertou.

O dirigente aproveitou ainda a presença do presidente da Câmara de Guimarães para defender a instalação da Força Especial de Proteção Civil na Penha, garantindo que a Irmandade disponibiliza terreno para acolher o equipamento.

Na sessão esteve também presente o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, que destacou a importância da articulação entre todas as entidades envolvidas na proteção civil e reforçou a necessidade de continuar a apostar na prevenção e na sensibilização da população. O autarca sublinhou ainda a relevância da Penha enquanto património natural do concelho, considerando essencial preservar “um dos espaços mais emblemáticos e importantes” de Guimarães.

No encerramento da sessão, Celina Oliveira deixou uma mensagem de união entre todas as entidades envolvidas na proteção civil. “Sozinhos vamos mais rápido, mas unidos vamos muito mais longe”, concluiu.

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