João Henrique Faria: “A Mesa da Assembleia Geral foi rigorosa, imparcial e justa”

João Henrique Faria despediu-se esta sexta-feira da presidência da Mesa da Assembleia Geral do Vitória Sport Clube com um discurso emotivo, marcado por críticas às acusações surgidas após o recente processo eleitoral, elogios à Direção cessante liderada por António Miguel Cardoso e um apelo à união dos vitorianos em torno do futuro do clube.

João-Henrique-Faria

Na cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos sociais, realizada no Centro Cultural Vila Flor, o dirigente não escondeu a emoção ao recordar os últimos meses à frente de um dos mais importantes órgãos do clube. No final da intervenção, foi longamente aplaudido de pé pelos presentes.

Um dos momentos mais marcantes do discurso surgiu quando abordou as críticas dirigidas à Mesa da Assembleia Geral após as eleições de 13 de junho. “Nunca esperaria que a minha integridade e honestidade, bem como da equipa que teve a honra de me acompanhar na Mesa da Assembleia Geral, fossem maltratadas na praça pública, de forma leviana e gratuita, como foram por uma das listas candidatas, apenas porque se entendeu não aceitar a decisão dos sócios”, afirmou.

“A Mesa da Assembleia Geral foi rigorosa, imparcial e justa”

Perante os associados presentes, João Henrique Faria fez questão de defender a atuação da Mesa da Assembleia Geral durante todo o processo eleitoral, sublinhando que todas as decisões foram tomadas em estrito cumprimento dos Estatutos e procurando sempre o consenso entre as candidaturas. “Quero deixar-vos uma certeza. Ao longo de todo o processo eleitoral, a Mesa da Assembleia Geral foi rigorosa no cumprimento da lei e dos Estatutos. Foi imparcial e justa”, declarou.

O dirigente revelou ainda que os procedimentos adotados durante a preparação e realização das eleições foram discutidos e consensualizados com todas as listas concorrentes. “Procurou-se sempre o consenso de todas as candidaturas sobre o procedimento adotado, desde a mais ínfima questão de pormenor. Consenso esse que foi desconsiderado e descartado por alguns após a proclamação dos resultados eleitorais”, acrescentou.

Sem mencionar diretamente qualquer candidatura, as palavras foram interpretadas como uma resposta às críticas e dúvidas levantadas pela Lista C, liderada por Viriato Sampaio, relativamente ao ato eleitoral.

Vitória deve ser mais do que futebol

Já numa reflexão mais ampla sobre o futuro da instituição, João Henrique Faria recuperou os princípios inscritos nos Estatutos do clube, defendendo uma visão do Vitória que ultrapasse a dimensão exclusivamente desportiva. “O Vitória que quero não é só jogo. O Vitória que pretendo é povo, é integração, é inclusão, é educação, é formação, é solidariedade”, afirmou.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães

Para o presidente cessante da Mesa da Assembleia Geral, o clube deve continuar a desempenhar um papel social e formativo junto da comunidade. “O Vitória tem de ser um ninho onde os jovens depositem os seus sonhos. Um Vitória vivo é um Vitória que cumpre a sua identidade e não vacila na defesa dos seus princípios”, sublinhou.

Durante a intervenção, João Henrique Faria deixou palavras particularmente elogiosas para António Miguel Cardoso, presidente da Direção cessante, a quem atribuiu um papel decisivo na condução do clube durante os últimos quatro anos. “António, foste um grande presidente”, afirmou.

Recorrendo a uma metáfora náutica, descreveu o dirigente como “um verdadeiro almirante desta armada”, destacando a capacidade demonstrada para conduzir o clube num período particularmente exigente. “Tu e a tua equipa tudo deram e muito sofreram para que este grandioso e belíssimo navio que é o Vitória navegasse seguro, apesar de enfrentar mares sempre mais revoltos e perigosos”, referiu.

João Henrique Faria estendeu ainda o agradecimento aos restantes membros dos órgãos sociais cessantes, destacando a dedicação e o espírito de missão demonstrados ao serviço da instituição.

Mensagem para Rui Rodrigues

O presidente cessante aproveitou também a ocasião para desejar sucesso aos novos órgãos sociais e, em particular, ao novo presidente da Direção, Rui Rodrigues. “Felicito todos os que foram escolhidos pelos associados para servir o Vitória Sport Clube nesta nova etapa e desejo-lhes a maior sorte no exercício das suas funções”, afirmou.

Dirigindo-se diretamente ao novo líder do clube, deixou um desejo simbólico para o início do mandato. “Ao presidente Rui Rodrigues, que agora toma conta do leme, desejo que os ventos soprem a seu favor.”

João Henrique Faria apelou ainda a que os novos dirigentes coloquem sempre os interesses do Vitória acima de qualquer outro objetivo. “Estamos aqui para servir e não para ser servidos”, vincou.

A concluir uma intervenção marcada pela emoção e pela reflexão institucional, o dirigente deixou um apelo à união de todos os associados, dizendo que “O futuro exige-nos ambição, trabalho, competência e responsabilidade. Mas exige-nos também união e a capacidade de compreender que tudo aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos pode separar.”

Recorrendo à simbologia histórica associada ao clube e à cidade de Guimarães, terminou com uma mensagem mobilizadora. “Peço-vos que todos vistam a camisola marcada com o Rei Conquistador e que, tal como em Aljubarrota, cerremos fileiras nas lutas que se aproximam, porque só assim poderemos vencer.”

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