JOSÉ MÁRIO BRANCO (1942-2019)

Por Eliseu Sampaio.

José Mário Branco foi uma das vozes mais inquietantes e reivindicativas do seu tempo. Na próxima quinta-feira, dia 19 de Dezembro, pelas 21.30h, no Café Concerto da Associação Convívio, em Guimarães, decorre a iniciativa “José Mário Branco e Outros Amigos”, uma homenagem da responsabilidade das Associações Culturais Vimaranenses Astronauta e Convívio.
A sessão terá um conjunto de intervenções que recordarão o cantautor recentemente falecido, com 77 anos de idade e 50 de uma brilhante carreira, com momentos de poesia, apontamentos da vida e obra do homem e do artista, e muitas das canções de José Mário Branco, passando pelos fados que também marcaram a sua obra. A entrada é livre.

“Esta coisa podre em que a gente vive agora faz com que não me sinta bem a cantar as coisas do costume”, disse José Mario Branco em entrevista à BLITZ, em junho de 2018. Suspendeu, nos últimos anos, as aparições ao vivo por considerar que lhe cheirava a “nostalgia”, sendo este sentimento um “agarrarmo-nos a um desejo do passado, a vivências já vividas e não termos um elã para a frente. A nostalgia é ótima para a classe dominante: quanto mais nostálgica estiver a população – que é o caso atualmente, sobretudo malta mais da minha idade -, melhor é, porque as pessoas ficam desarmadas, sem projeto. E eu comecei a sentir-me um bocado mal em cima de um palco a cantar aquelas coisas. As pessoas estavam a gostar imenso e acendiam isqueiros e telemóveis e cantavam muitas coisas comigo. Mas eu comecei a sentir-me mal nessa situação.” Acrescentava em dezembro desse ano à Sábado.

Recorrermos às palavras de José Mário Branco, e ao seu exemplo, é alimentarmo-nos de esperança, de inquietação, de coragem para avançar. De procurar o novo, sem medo de o encontrar.  Encontramo-nos no Convívio?

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