Liberdade de expressão ou liberdade de ofensa?

Por Luísa Araújo.

“Consta nos arquivos da História, um dos maiores pilares da burguesia, clamava pela transformação de um século obscuro e ignorante em um século iluminado, igualitário e liberto dos ranços impostos pela Igreja. A causa revolucionária contou com os ideais apregoados por Rousseau, e irradiou-se por todo o mundo civilizado, trazendo liberdade entre os povos, conforme a Declaração dos Direitos Humanos – fruto maduro da Revolução”

Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, isso é um facto!

É um dos pilares da democracia, e isso a meu ver é uma sorte!

Vamos focar-nos neste ponto!

Falar uns com os outros é livremente fulcral para que se possa viver numa sociedade justa.

Receber, requerer e partilhar ideias, sem o medo de viver uma inteligência artificial, e interferência ilegal de forma a aceder á justiça, de forma a reivindicarmos os nossos direitos.

Pergunto-me: ser livre de opiniões expressar o que nos vai na alma, isso não implica saber ouvir? Favorável ou não? Perceber quando temos que parar? Até que modo a nossa forma de pensar, está a ser uma opinião ou uma imposição?

Estaremos com isto a pôr em causa a liberdade de expressão ou apenas a lidar com uma sociedade de impressão? Não, não estou a falar da típica impressora que reproduz informação, e sim o impressionismo público e desbarato!

Embora seja apenas uma perspetiva pessoal sobre o assunto, manifestar as nossas crenças, ideologias são a certo modo, fruto de uma influência de tudo o que experienciamos. Contudo expor publicamente uma ideologia política, religiosa, sexual, ou cultural irá sempre ferir suscetibilidades! Mas e depois?

Devemos com isto, não falar delas? Esconder a nossa religião?

Devemos anular-nos por medo do julgamento? E quando somos julgados?

Esta dualidade de critérios faz-me lembrar o típico dilema popular “quem nasceu primeiro? O ovo ou a galinha?”

E daí para a frente as discussões que se geram!!!

Defendemos a liberdade de ser quem somos, mas agir de modo a ir de encontro ao que é espectado é ser único, ou apenas seguir um rebanho e ser apenas mais um?

A mim choca-me a capacidade que se tem de ofender, só porque sim! De se destratar, só porque a ideologia não é a mesma! Acho uma inconcebível agredir alguém, seja psicologicamente ou fisicamente alguém, só porque os padrões de vida, de ser e estar na sociedade são diferentes, dando a desculpa miserável de que somos um pais livre de opinião e podemos dizer tudo o que queremos!

Claro que sim, mas em tudo na vida há limites! E quando não se percebe que é necessário tê-los, o desrespeito passa por a pessoa ofendida e por o ofensor! Sim, aquele que ultraje alguém, como se de uma escultura se tratasse, fá-lo porque acima de tudo não se respeita a si próprio.

Posso até evocar algumas situações das quais, qualquer um dos temas seria de interpretação ambígua! Ou apenas resumir a minha explicação com a celebre frase “são consequências da pandemia”. Pois culpar uma causa/efeito, ou alguém, sempre foi mais fácil do que pensar em nós, numa perspetiva critica! É duro!

Perceber que os reflexo de atitudes livres, mostram o quanto somos presos a frustrações, dá trabalho! O mais simples é mesmo a culpabilização de alguém, de uma causa, por ser ousado em expor o que pensa, o que quer, sem estar condicionado nas amarras sociais. Mas fazê-lo empiricamente, por ser livre é diferente de o fazer por ofensa!

Por exemplo, se eu decidisse falar de política e do meu gosto particular pelos debates, pelas trocas de ideias, serei corrupta, ou quero tacho? E se abordar o tema do empoderamento feminino, sou uma feminista radical? Abordar o assunto amor próprio, faz de mim uma pessoa sem autoestima?

Tudo isto, são questões que parecem tão simplórias como elas mesmas, mas, contudo, tem sempre uma dualidade de opiniões, de critérios.

E ser diferente não é mau, é apenas ser diferente!

Apenas temos que respeitar o que cada um é! Sem julgar sem ofender!

Cabe-nos a nós corroborarmos a liberdade de expressão “conquistada em 1974, pois sem uma diversidade de ideias, a democracia que vivemos, deixa de ser uma liberdade”, uma liberdade de expressão!

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