“Listen”, produzido por Rodrigo Areias, nomeado a candidato português aos Óscares

O filme de Ana Rocha de Sousa está nomeado para ser o candidato português à categoria de Melhor Filme Internacional dos Óscares. A este, junta-se “Mosquito”, de João Nuno Pinto, “Patrick”, de Gonçalo Waddington, e “Vitalina Varela”, de Pedro Costa.

A Academia Portuguesa de Cinema anunciou esta segunda-feira, 2 de novembro, em comunicado, “os quatro filmes nomeados para a votação do candidato de Portugal à categoria de Melhor Filme Internacional na 93.ª edição dos Óscares”, em abril de 2021, escolhidos “entre as 33 longas-metragens elegíveis”.

Os quatro nomeados foram escolhidos por um “comité de pré-seleção” e o processo de escolha do candidato português “passará agora por um período de votação entre os membros da Academia Portuguesa de Cinema, que decorre de 2 a 15 de novembro, até à revelação do filme selecionado, que será anunciado a 16 de novembro”.

“Listen” foi produzido por Rodrigo Areias, produtor vimaranense, que referiu que decidiu produzir o filme devido ao argumento e “pela energia” da realizadora. Partiram, depois, à procura de financiamento e co-produção internacional no Reino Unido, onde Ana Rocha de Sousa estudou cinema.




Esta é a primeira longa-metragem da atriz e realizadora Ana Rocha de Sousa, de 41 anos, e a narrativa inspira-se em factos reais. É um drama familiar de uma família portuguesa emigrada no Reino Unido, a quem os serviços sociais lhe retiram os três filhos menores, por suspeita de maus tratos. 

Filme mais premiado em Veneza 2020

“Listen” venceu o prémio Leão do Futuro, de primeira obra, e o prémio especial do júri da competição Horizontes no Festival de Cinema de Veneza. Venceu ainda o prémio Bisato d’Oro de melhor realização e o prémio Sorriso Diverso Venezia, pela “abordagem às questões sociais”.

Este filme teve produção da Bando à Parte, produtora de cinema independente, sediada em Guimarães, e tem com principal responsável Rodrigo Areias, cineasta vimaranense, que teve um papel fundamental na área do Cinema na Capital Europeia da Cultura de 2012. 

“Nunca antes a língua foi impeditivo de enviar um filme aos Óscares… mais ainda quando absolutamente justificado narrativamente”

Ana Rocha de Sousa

Nas suas redes sociais, Ana Rocha de Sousa, escreveu: “Sonho com união. É utopia. É muito curioso ver como semanas antes quem desdenhava Hollywood agora tem uma máquina em marcha, sim, em marcha, para tentar tudo até deslealmente. Mantenho-me no meu canto. Academia, por favor, votem absolutamente e apenas no filme que defendem ser o melhor filme candidato ao Óscar.”




A realizadora referiu ainda os prémios recebidos em Veneza. “Talvez possa sublinhar que Veneza é e foi sempre considerada a ante-visão dos Óscares. Talvez possa lembrar que fomos o filme mais premiado em Veneza 2020. Talvez deva dizer que temos hoje em dia connosco a one and only: Magnolia Pictures International, uma das mais fortes distribuidoras Americanas. Talvez deva dizer, já que ninguém o fará por mim, o buzz que o filme tem por LA sem ainda ter lá estreado… E acrescento por fim: Em caso de dúvida, lembrem que nunca antes a língua foi impeditivo de enviar um filme aos Óscares… mais ainda quando absolutamente justificado narrativamente. E que LA respondeu claramente que quem decide a elegibilidade de um filme é a Academia de lá”.

Termina, apelando à liberdade na hora da votação. “Posto isto: sejam livres. Não obrigo ninguém a votar no Listen. Limito-me a dizer só que gostava mesmo muito que nos deixassem ser os representantes de Portugal. Acho mesmo que merecemos. Se sou quem defende os outros contra tudo e todos também tenho de ser capaz de me defender quando me deparo com campanhas desleais e carnavais.”

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