LOJAS COM HISTÓRIA

Por Ana Amélia Guimarães

Já por várias vezes tenho, neste espaço, chamado a atenção para recorrentes assuntos que se prendem com a vida da cidade e do concelho. Perdoem-me pois as/os leitoras/es se volto novamente a sublinhar preocupações anteriormente manifestadas, nomeadamente no que diz respeito ao «comércio tradicional».

Como sabemos, uma parte dos destinos Guimarães passam, há mais de três décadas, pelas opções e prioridades do PS, em maioria absoluta na câmara e na assembleia municipal. Assim, por vontade do PS local, foi construída na entrada da cidade uma grande superfície (a troco de uma medíocre estação de autocarros) que veio comprometer a fluidez de trânsito e garrotear o comércio tradicional.

Foi também por opção do PS local que o Mercado Municipal (o «antigo mercado») foi extinto e substituído por uma «coisa» que a própria autarquia não sabe muito bem o que fazer com ela…

As boas práticas recomendam que posicionar o comércio como marca diferenciadora de cidade e, simultaneamente, atividade económica geradora de emprego exige a articulação de diferentes e complementares medidas, no âmbito de uma estratégia que ligue três áreas de atividade municipal: planeamento urbano e elementos arquitetónicos, património cultural e atividades económicas. Esta estratégia, tão urgente e necessária, não parece dizer muito ao PS local.

Como vimos, em dois golpes, o governo municipal quase liquidou o comércio «tradicional» , que pode, e deve, ser um dos elementos distintivos e diferenciadores entre cidades.

Ao definhamento deste comércio de proximidade que anima e dá vida a uma cidade, vemos agora com preocupação desaparecer aquilo a que genericamente se designa por Lojas com História.

As «lojas com história» são espaços únicos que se cruzam com a própria história da cidade. Em Guimarães, no mesmo miolo histórico, desapareceu «o cereiro» e o «ferreiro»… e avizinham-se outros.

A preservação e dinamização deste património torna-se urgente, sabendo que nele reside uma parte indispensável da identidade e carácter da cidade e que é, ao mesmo tempo, um importante mecanismo social e económico para o seu desenvolvimento.

Desde de há muito que autarquias de outras cidades com características semelhantes à nossa têm, nos seus planos de atividade, o apoio efetivo a «lojas com história». Preocupada com a candidatura a capital verde a autarquia não se dá conta do que fez no passado e do que não faz no presente.

  1. Tem sido notícia a falta de alojamento para os alunos da universidade do Minho.

É um problema que não é de agora mas que se agravou com o que atempadamente não se fez.

No entanto, sublinhe-se, este problema não se estende apenas aos alunos universitários. O cidadão comum, que por ventura venha para Guimarães trabalhar, vai ter muita dificuldade em arrendar o que quer que seja: o que há é pouco e a preços incomportáveis.

Esta situação atrofia a dinâmica social da cidade, tornando-a mais «fechada» e menos cosmopolita.

Como é que a autarquia vê isto? Não vê.

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