Luís Montenegro abriu as II Conferências de Fafe
Primeiro-ministro foi o orador convidado da primeira sessão do ciclo, que traz mensalmente a Fafe personalidades de diferentes áreas da vida pública portuguesa.

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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, abriu na quarta-feira, 30 de setembro, as II Conferências de Fafe, como orador convidado da primeira sessão. A iniciativa decorreu às 18h00 no Teatro Cinema de Fafe, sob o mote “Portugal: Que Ambição?” e com moderação de Luís Marques Mendes.
À chegada, Montenegro foi recebido por uma manifestação da União de Sindicatos de Braga contra a subida do custo de vida e em defesa dos serviços públicos. No discurso, desvalorizou o protesto, descrevendo-o como uma campanha quase diária de cerca de 20 pessoas. Antes da visita, o PCP tinha colocado uma faixa no centro de Fafe, onde defendeu que o primeiro-ministro “não pode voltar a Fafe” sem responder aos principais problemas de quem cá vive e trabalha, retomando as críticas feitas na anterior deslocação, aquando da inauguração da Loja do Cidadão. O partido pediu ainda ao presidente da Câmara de Fafe que aproveitasse a presença do primeiro-ministro para alertar para a necessidade de recuperar o edifício centenário junto ao Centro de Emprego.
Em Fafe, Luís Montenegro traçou um retrato do país e defendeu que o investimento em conhecimento, inovação e defesa deve ser aproveitado para reforçar as capacidades nacionais, mas também para criar indústria, emprego e valor económico.
Numa altura em que a União Europeia entra numa fase decisiva da discussão do orçamento plurianual, o chefe do Governo afirmou que a sua grande ambição é ver Portugal atingir um nível de desenvolvimento que lhe permita contribuir mais para os cofres comunitários do que aquilo que recebe em fundos e subsídios.
“Portugal tem todas as condições para, de uma vez por todas, passar a ser contribuinte líquido da União Europeia. E seria a melhor notícia que nós podíamos dar aos portugueses, às pessoas, às famílias e às empresas”, afirmou.
Montenegro considerou que o rendimento nacional bruto do país é já superior a 90% da média europeia, mas defendeu que deve ficar acima dessa média. Disse também que a sociedade portuguesa é capaz de produzir e comercializar bens que criem valor suficiente para sustentar a comunidade e garantir a cada pessoa a oportunidade de ser aquilo que quer ser.
O primeiro-ministro lembrou ainda que a estabilidade política é fundamental para a afirmação do país no mundo e sublinhou o “sinal importante” dado pelo PS quanto à eventual viabilização do Orçamento do Estado para 2027, elogiando o sentido de responsabilidade dos socialistas. Acrescentou que o PS tem estado mais disponível do que outros partidos, mas que o diálogo é com todos, recordando que já houve acordo com o Chega em matérias como a imigração.
Por seu lado, Luís Marques Mendes destacou o objetivo das conferências: “O único objetivo é refletir, debater, pensar em voz alta e pensar em conjunto.” Defendeu que o país não pode esgotar-se na “espuma dos dias” nem virar as costas aos problemas do quotidiano, como o custo de vida, a habitação, a saúde e a educação, mas deve também saber planear o futuro com tempo e visão.
O ciclo prossegue no próximo mês com o líder do PS, José Luís Carneiro, como protagonista. Em novembro, o convidado será o cardeal Tolentino de Mendonça e, em dezembro, Leonor Beleza. As conferências continuam em 2027, com outros nomes a anunciar pelo Município de Fafe.





