MAFALDA: “A música é uma extensão muito grande de mim”

Jornalista, professora e cantautora, a artista de 26 anos fala-nos do percurso que a levou ao primeiro álbum, "Gosto Muito de Estar Aqui", e descreve o novo trabalho numa palavra: "vulnerável".

@ Mafalda

Cresceu numa casa onde a música sempre esteve presente, estudou-a durante seis anos, formou uma banda, escreveu em inglês, parou e voltou. Hoje, aos 26 anos, MAFALDA prepara o primeiro álbum, integralmente cantado em português, e conta-nos como chegou até aqui. Atua hoje, às 17h00, no Museu Alberto Sampaio, em Guimarães.

“Eu acho que sempre gostei muito de música, eu cresci numa casa muito musical”, recorda. Aos 10 anos começou a estudar música e manteve-se nesse caminho durante seis anos, sempre no domínio da música clássica. Reconhece que esse período foi “super importante” para o seu percurso, mas admite que não sentia que se identificava tanto com ele.

Da escrita à música

Na adolescência, a vontade de escrever, que sempre existira, acabou por cruzar-se com a música. “Quis muito ter uma banda e tive uma banda, não era muito boa, mas tive”, diz com humor. Dessa altura nasceu o primeiro projeto, Matilda, com canções em inglês, língua em que na altura se sentia mais à vontade para escrever. O projeto começou quando tinha 17 anos e, diz, foi “super importante” para si.

Em 2019 fez uma pausa. Foi no regresso que sentiu o desejo de escrever em português, o que descreve como “uma descoberta”.

Entre o Jornalismo, as aulas e a música

Fora do palco, a música continua a ser indissociável de quem é. “Acho que muito daquilo que está na minha música está em mim”, afirma. MAFALDA estudou Jornalismo, curso que concluiu há três anos, precisamente por gostar muito de escrever. Trabalha como jornalista em regime de freelance, dá aulas de inglês e procura gerir estas vertentes em paralelo com os seus interesses pessoais.

Define-se como uma pessoa muito introspetiva e explica que a música foi sempre uma forma importante de ver o mundo e de se ver a si própria. “É difícil separar uma coisa da outra”, resume. “A música é uma extensão muito grande de mim.”

Nove anos de diferença

Sobre a relação entre o Matilda e o novo projeto, a artista fala de uma ligação evidente, já que ambos são pessoais, introspetivos e íntimos. A grande diferença, explica, está nos nove anos que os separam: começou a fazer música aos 17 e o novo capítulo surge aos 26. Sente-se hoje mais madura e mais capaz de escrever sobre outros temas, e fazê-lo em português é um desafio diferente, já que no inglês, explica, há “uma distância maior” em relação àquilo que se diz.

Reconhece que o Matilda era um projeto “muito mais imaturo”, por muito amor que lhe tenha, e que refletia a sua adolescência. No novo trabalho, diz que quando ouve as canções não ouve apenas a si própria, mas também o produtor André e o percussionista Yuri, o que mostra “um trabalho completamente diferente”.

Uma parceria que surgiu “de forma natural”

A parceria com André nasceu de forma muito natural. MAFALDA já conhecia e admirava o seu trabalho do tempo em que tocava com o Matilda e, há cerca de dois anos, voltaram a contactar-se. Começaram a partilhar ideias e a trocar opiniões sobre as canções que ela escrevia, e André assumiu o papel de produtor. Os temas que apresenta hoje são o resultado desse trabalho conjunto, a que se somou o contributo de outras pessoas, mas, sublinha, “sem dúvida do trabalho de nós os dois”.

O primeiro álbum

“Gosto Muito de Estar Aqui” chega às plataformas a 22 de outubro e é apresentado como uma reflexão sobre a vida e a capacidade de renascimento. O disco é antecipado pelo single “1 & 2”, disponível desde 10 de setembro, que aborda a importância de dizer “Não” e o processo de reconstrução entre o fim de uma etapa e um novo começo. “Sinto que a semente que queimaste à nascença / Vai crescer, vai crescer” é um dos versos que marcam o tema.

Pedimos-lhe, por fim, que definisse o álbum numa só palavra: “Vulnerável.”

A apresentação do álbum em Guimarães acontece a 24 de outubro, no Centro Cultural Vila Flor. Antes, MAFALDA atua a 13 de outubro no Café-Curto, no Convento de São Francisco, em Coimbra, e a 15 de outubro no Ovar Expande, em Ovar. Em novembro, passa pelo Piso, em Braga (dia 11), pelo RCA, no Porto (dia 7), pelo Salão Brazil, em Coimbra (dia 13), e pela Casa Capitão, em Lisboa (dia 14), partilhando o palco com o projeto Líquen nestas três últimas datas.

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