Maioria e PS trocam argumentos sobre cultura enquanto regresso da Noite Branca está confirmado

A Noite Branca vai regressar às ruas de Guimarães ainda este ano, embora a data oficial e os detalhes da programação permaneçam por anunciar. O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, durante a discussão em torno da política cultural do município, marcada pela aprovação de 257.250 euros de apoio a 12 projetos culturais de interesse municipal e por novas críticas do PS ao investimento previsto para o Festival Mimo.

© CMG

Para o autarca, o regresso da Noite Branca representa o cumprimento de mais um compromisso assumido pela atual maioria com os vimaranenses e enquadra-se na estratégia de reforço da afirmação cultural da cidade. “É um evento relevante para a lógica de afirmação de Guimarães”, afirmou Ricardo Araújo, acrescentando que a iniciativa integra o objetivo de tornar o concelho “uma referência cultural nacional e internacional”, através de uma programação capaz de atrair visitantes e dinamizar a economia local.

O anúncio surgiu no final da reunião quinzenal do executivo municipal, realizada esta segunda-feira, na qual foi aprovada por unanimidade a atribuição de apoios financeiros a uma dúzia de projetos culturais. Entre os principais beneficiários estão a Contextile, que recebe 60 mil euros, o festival Mucho Flow, com 45 mil euros, e o Rock no Rio Febras, contemplado com 44 mil euros.

A distribuição dos restantes apoios abrange o L’Agosto, 30 mil euros, Vai-m’À Banda, 20 mil, Feira da Terra, 14 mil, Fest in Folk, Sonus Art Fest e Encontro Ibero-Americano de Tunas Académicas, 10 mil, Museu à Noite, 6.500 euros, Rock in Barco, 6 mil euros, e as Comemorações do 1.º de Dezembro, 1.750 euros.

PS pede maior valorização dos projetos locais

Apesar da aprovação unânime dos apoios, o vereador socialista Ricardo Costa apresentou uma declaração de voto na qual defendeu um reforço do investimento nos projetos culturais de matriz local, argumentando que são estes que melhor promovem a identidade e a diferenciação do território.

Segundo Ricardo Costa, o município deveria apostar mais nas associações e iniciativas culturais do concelho, comparando o investimento previsto para o Festival Mimo, estimado em cerca de 600 mil euros, com os recursos destinados à programação cultural regular. “Não estamos contra o Festival Mimo, mas não podemos comprar um serviço que custa cerca de 600 mil euros e atribuir à cooperativa A Oficina cerca de 800 mil euros para a atividade cultural de um ano”, sustentou.

Ricardo Costa apontou também ao Rock no Rio Febras, defendendo que o evento poderia beneficiar de um apoio mais robusto para ganhar dimensão e afirmar-se como um grande festival de verão, à semelhança do que acontece em Paredes de Coura.

Também Gabriela Nunes, vereadora socialista, no período anterior à ordem do dia, solicitou mais esclarecimentos relativamente ao acordo estabelecido com a empresa promotora do Festival Mimo, admitindo não ter ficado satisfeita com os esclarecimentos prestados pelo executivo na reunião anterior. Ricardo Araújo solicitou que a vereadora enviasse um requerimento, garantindo que toda a documentação lhe seria entregue.

Ricardo Araújo acusa PS de incoerência

As críticas dos socialistas mereceram uma resposta do presidente da Câmara, que rejeitou qualquer oposição entre o investimento no Mimo e os apoios aos projetos culturais locais. “Não retirámos verba de nenhuma outra atividade cultural para a transferir para este festival. Estamos a reforçar os apoios no âmbito do Impacta e a reforçar o apoio à programação cultural”, sublinhou.

O autarca considerou ainda que a posição assumida pelo PS revela contradição política. “Não tentem atirar areia para os olhos dos vimaranenses. Estamos a investir mais na cultura. O PS concorda ou discorda? Não estamos a reduzir os apoios que já vinham de trás”, afirmou.

Numa crítica direta à oposição, Ricardo Araújo acrescentou que os socialistas “andam em zigue-zague” nas questões culturais e rejeitou a ideia de que o PS detenha um papel exclusivo na promoção da cultura no concelho. “O PS achava que tinha o exclusivo da cultura em Guimarães. Achava que a cultura só existia com o PS e não é assim”, declarou.

Mimo mantém-se como aposta estratégica

O presidente da Câmara voltou também a defender a realização do Festival Mimo, cuja primeira edição na cidade decorre entre 27 de junho e 5 de julho, considerando que a iniciativa contribuirá para reforçar a oferta cultural, atrair visitantes e projetar internacionalmente o concelho. “Enquadra-se nos nossos objetivos de aumentar e reforçar a programação cultural para termos mais gente, mais visitantes e, com isso, dinamizar o comércio e a economia local”, afirmou.

Ricardo Araújo lembrou ainda que o município submeteu uma candidatura ao Turismo de Portugal para obter uma comparticipação que poderá atingir 50% do investimento associado ao festival.

PUBLICIDADE
Arcol

NOTÍCIAS RELACIONADAS