MESMO COM MEDO, VAMOS!

Por Eliseu Sampaio.

– Porque choras?

– Porque tenho medo! Porque vou e não sei como virei! Se venho sozinho ou se trago esse maldito vírus comigo e depois sinto culpa. Porque não quero magoar os meus, porque os amo demais para pensar que lhes poderei provocar mal algum. Sabes Eliseu, 20% dos infetados são médicos, já são mais de uma centena, sem contabilizarmos os enfermeiros, o pessoal auxiliar, os bombeiros e outros que estão lá, no campo de batalha, numa luta contra o tempo. Temos de os tratar já porque logo outros chegarão. Agora estão 500 infetados, com testes positivos, daqui a quinze dias serão certamente 30 ou 40 mil. Mas nós vamos continuar a ir lá, com medo mas vamos, e de noite e de dia vamos cuidar de todos, mesmo não sabendo quem está ou não infetado. Vamos com medo que seja o próximo aquele que nos vai virar a vida do avesso.

– Sabes Luís, é porque há Homens como tu, e Mulheres com a mesma fibra, que acreditamos na Humanidade! Talvez este maldito vírus nos traga um pouco mais de humanismo, nos faça acreditar num mundo diferente daquele em que estávamos mergulhados. Será, Luís, que depois de passarmos por um sofrimento destes, de nos recolhermos aos nossos lares para junto dos nossos, de até sentirmos medo de os abraçar e os beijar, de termos imensas saudades até disso, de temermos perdê-los entre esses gestos de amor nesta batalha que nunca imaginamos viver, e tudo ficará igual?

Quero que penses que não vais sozinho, vais com a tua família que estará sempre contigo, vais com os teus amigos que te admiram e com uma comunidade que te vai aplaudir, de pé, quando tudo isto passar. E vai passar, acredita, acredita que havemos de festejar muito, nas praças da nossa cidade.

A todos os que vão, estão lá quando mais precisamos, Obrigado!

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