MetroBus volta a dividir maioria e Partido Socialista na Câmara de Guimarães

Na reunião do executivo desta segunda-feira, Ricardo Costa e Ricardo Araújo voltaram a defender soluções distintas para responder aos desafios da mobilidade regional, dias depois de o Governo ter aprovado um financiamento de 80 milhões de euros para a primeira fase do MetroBus entre Guimarães, as Taipas e o AvePark.

© CMG

O vereador socialista Ricardo Costa reiterou a oposição ao projeto de Bus Rapid Transit (BRT), posição que diz manter desde o anterior mandato, independentemente da cor política do executivo. “Já critiquei quando esta Câmara era presidida pelo Partido Socialista e continuo a criticá-la agora. Não é uma crítica partidária. Fui contra esta proposta no anterior mandato e continuo a sê-lo porque o BRT não faz qualquer sentido”, afirmou.

Para Ricardo Costa, a prioridade deveria passar pela concretização da ligação ferroviária entre Guimarães e Braga, defendida há vários anos. “O professor António Babo defendia desde 2009 o fecho do anel ferroviário entre Guimarães e Braga. Caso contrário, Guimarães e Braga vão transformar-se em meros apeadeiros de serviços locais. Precisamos dessa ligação para integrar o território na rede ferroviária nacional e na futura alta velocidade.”

Na perspetiva do vereador socialista, o investimento agora aprovado para o MetroBus poderá comprometer a concretização futura da ferrovia. “Estamos satisfeitos por existirem 80 milhões de euros para investir. O problema é que, ao gastarmos esse dinheiro nesta solução, estamos a dar argumentos ao Governo para dizer que já não é necessária a ligação ferroviária entre Guimarães e Braga.”

Ricardo Costa defendeu ainda que o BRT dificilmente conseguirá circular sempre em corredor exclusivo ao longo da EN101, considerando que a infraestrutura não resolverá os atuais problemas de mobilidade. “Já percebemos que haverá troços onde não será possível ter via dedicada. Vamos continuar a conflituar com o trânsito automóvel e, no final, vamos gastar 80 milhões de euros sem resolver os problemas estruturais.”

O vereador considerou ainda que o financiamento agora aprovado poderia ser canalizado para outras intervenções prioritárias no concelho. “Com uma pequena parte deste valor conseguiríamos requalificar a EN101. Com este investimento poderíamos resolver praticamente todos os principais problemas de mobilidade do concelho, incluindo a circular urbana.”

Ricardo Costa manifestou também preocupação com a decisão da Câmara de Braga de suspender o desenvolvimento do MetroBus naquele concelho, admitindo que essa situação possa levantar dúvidas sobre a execução global do projeto. “Se Braga não avançar, é legítimo perguntar se isso não poderá colocar em causa o financiamento agora aprovado para Guimarães.”

Ricardo Araújo “O Partido Socialista está apenas empenhado em atirar poeira para o debate”

O presidente da Câmara Municipal respondeu às críticas reafirmando que a prioridade do executivo continua a ser a concretização da primeira fase do MetroBus, independentemente das decisões tomadas noutros municípios. “Está tudo estabelecido. A primeira fase é a ligação de Guimarães às Taipas e ao AvePark. O Governo aprovou 80 milhões de euros para implementarmos esta primeira fase, que, sinceramente, é aquela que é prioritária para mim neste momento.”

Segundo Ricardo Araújo, o objetivo passa por criar um verdadeiro corredor exclusivo de transporte público entre a cidade e as principais vilas do concelho. “O MetroBus é fundamental para criarmos um canal de transporte público dedicado que ligue Guimarães às Taipas, servindo Fermentões, Pencelo, Ponte e toda a população ao longo deste corredor. É isso que permitirá criar condições para que as pessoas deixem o automóvel e optem pelo transporte público.”

Quanto às dúvidas levantadas sobre a existência de via dedicada em toda a extensão do percurso, o autarca garantiu que os estudos preliminares apontam para uma solução praticamente integralmente exclusiva. “Neste momento temos um estudo preliminar que apresenta um traçado com 98 ou 99 por cento de via dedicada. Agora será desenvolvido o estudo prévio, que permitirá resolver os constrangimentos que possam surgir. Eu não abdico de uma solução em corredor exclusivo.”

Ricardo Araújo acusou ainda o Partido Socialista de procurar lançar dúvidas sobre um projeto que considera essencial para o concelho. “Infelizmente, o Partido Socialista está apenas empenhado em atirar poeira para o debate.”

O presidente da Câmara voltou também a responsabilizar anteriores governos socialistas pela inexistência de uma ligação ferroviária entre Guimarães e Braga. “O grande responsável por Guimarães não ter hoje uma ligação ferroviária a Braga é o Partido Socialista. Foram os governos do PS que disseram que essa solução obrigava a um túnel de nove quilómetros e custava mais de mil milhões de euros.”

Para o autarca, a comparação entre o investimento no MetroBus e outras intervenções rodoviárias não faz sentido. “Temos de comparar soluções iguais. O Partido Socialista apresenta como alternativa a ferrovia, que custa cerca de mil milhões de euros. O MetroBus custa 80 milhões e serve toda a população ao longo do corredor, não apenas dois pontos do território.”

Ricardo Araújo concluiu reiterando que o foco do município passa pela execução da primeira fase do projeto, admitindo futuras extensões para Vila Nova de Famalicão e outros concelhos da região.

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