Miguel Oliveira merece mais

Por Eliseu Sampaio.

Portugal é um país desportivo demasiadamente marcado pelos assuntos futebolísticos, creio que isso é claro até para o mais fervoroso adepto do dito “desporto-rei”. Este facto é duro para os praticantes de outras modalidades.

O futebol que até se tem afastado da sua essência, de uma prática desportiva salutar para uma realidade que se tornou difícil de digerir, em que os negócios falam mais alto e os casos de corrupção se tornaram comuns, para alguns até aceitáveis.

Somos, no entanto, todos responsáveis por esta transformação. Responsáveis quando consideramos, por exemplo, que em campo o importante é ganhar, nem que seja por meio a zero com um golo de mão no último minuto de jogo. Quando enchemos estádios em qualquer circunstância, e assobiamos para o lado perante os casos de polícia que envolvem os agentes do futebol. Quando alimentamos as audiências dos media vendo e lendo “assuntos e não assuntos” como a do Cavani, que este verão estará a superar as de qualquer novela da TVI.

Miguel Oliveira conquistou no domingo, brilhantemente, o seu primeiro grande prémio em MotoGP, o grande prémio de Estíria, em Spielberg, na Áustria. Uma conquista que ficará para sempre marcada na história nacional do desporto como a primeira prova a ser vencida por um português.

Assim de repente, “somos todos Miguel Oliveira”, e todos fãs dos desportos motorizados. Poucos conhecerão, mas Miguel Oliveira tem uma carreira extraordinária, e este feito surge-lhe naturalmente, fruto sua entrega, do seu esforço, e da sua persistência. O êxito conseguido, e o que estará para vir, deu muito trabalho.

Miguel Oliveira foi politicamente correto na chegada a Portugal, agradecendo ao país pelo apoio.

Sabemos que merecia mais. A grande maioria dos portugueses, e a comunicação social, numa semana esquecerá o seu nome, a sua conquista, e regressará às novelas futebolísticas de sempre.

Parabéns Miguel Oliveira!

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