Ricardo Araújo e o arranque da CVE: “Queremos ser inspiração para outras cidades europeias”

Guimarães iniciou esta sexta-feira, 09 de janeiro, o seu ano como Capital Verde Europeia 2026, com um programa que reuniu representantes da Comissão Europeia, membros do Governo português, autarcas e delegações de cidades europeias.

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A sessão inaugural decorreu no Teatro Jordão e marcou o início formal de um ano dedicado à implementação e consolidação de políticas públicas orientadas para a sustentabilidade ambiental, a mobilidade urbana e a participação cívica.

A sessão contou com a presença do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, do diretor-geral adjunto da Direção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia, Patrick Child, e do secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, entre outras personalidades.

O programa incluiu ainda um diálogo entre cidades europeias, com representantes de Vilnius, Valência e Heilbronn, centrado nas experiências locais de implementação de políticas ambientais e nos desafios comuns enfrentados pelos municípios no cumprimento das metas climáticas europeias.

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Durante a cerimónia foi feita a entrega do Green Book e apresentada a Declaração de Guimarães – Um Compromisso Local por uma Europa Mais Verde, documento que estabelece princípios orientadores para a ação municipal em áreas como clima, energia, mobilidade, biodiversidade e economia circular.

Sustentabilidade como política transversal

No discurso de compromisso, o presidente da Câmara afirmou que a distinção de Guimarães como Capital Verde Europeia 2026 “ultrapassa a dimensão simbólica” e representa “um compromisso firme e duradouro com os cidadãos, com a Europa e com as gerações futuras”. O autarca sublinhou que este reconhecimento europeu não é um ponto de chegada, mas antes “um compromisso que nos exige coerência entre discurso e ação, ambição sustentada no tempo e coragem política”.

Durante a cerimónia, destacou a importância da presença de representantes da União Europeia, afirmando que “o futuro da Europa constrói-se nas cidades, em todas as cidades, independentemente da sua dimensão”, salientando que Guimarães, enquanto cidade de média dimensão, demonstra que “a escala humana pode ser uma enorme vantagem na transição ecológica”.

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Ricardo Araújo frisou ainda que preservar o passado é inseparável de cuidar do futuro, defendendo que “cidades com raízes históricas profundas podem ser, simultaneamente, laboratórios vivos de inovação social, sustentabilidade e coesão social”. Nesse sentido, sublinhou que a Capital Verde Europeia 2026 é “fruto do empenho coletivo da nossa comunidade”, envolvendo cidadãos, instituições, empresas, escolas e associações.

O presidente da Câmara destacou os investimentos feitos pelo município, agradecendo a Domingos Bragança e a todos os que trabalharam neste projeto, referindo que Guimarães tem apostado “na transição energética, na eficiência energética, na redução das emissões, na mobilidade urbana sustentável e numa economia circular que reduz resíduos e promove padrões de consumo responsáveis”. Acrescentou que a sustentabilidade “não é apenas ambiental, tem de ser humana e humanizada”, colocando as pessoas e a justiça social no centro da ação climática.

Para Ricardo Araújo, “a ação climática só será bem-sucedida se gerar oportunidades, reduzir desigualdades e melhorar o bem-estar coletivo”, defendendo que a sustentabilidade deve ser “um fator de vantagem competitiva” e não um entrave ao desenvolvimento.

Sobre o ano de 2026, afirmou que será “um meio, não um fim”, reforçando que o sucesso não se medirá apenas pelos eventos, mas “pelo que fica nas políticas, na economia, nas pessoas e no território”. Concluiu com uma mensagem de confiança e ambição: “A partir do berço de Portugal, Guimarães não espera pelo futuro, está empenhada na sua construção com determinação, ambição, ciência, inovação e participação de todos.”

A comissária europeia do Ambiente, Jessika Roswall, e o diretor-geral adjunto da Direção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia, Patrick Child, destacaram também a evolução do município e a persistência no caminho percorrido, nomeadamente ao nível da qualidade do ar e da redução da pegada ambiental. Patrick Child afirmou que Guimarães conseguiu até “combinar o património histórico com princípios modernos” e “colocar a sustentabilidade no centro da cultura local”.

Durante a sessão, foi destacado também o facto de um concelho marcadamente industrial ter conseguido alcançar feitos relevantes na área ambienta.

O secretário de Estado do Ambiente, João Manuel Esteves, também presente na sessão, felicitou o município pela distinção de Capital Verde Europeia, referindo que as políticas seguidas por Guimarães estão em consonância com as do Governo e que Guimarães poderá contar com o apoio estatal.

Protocolo com BEI reforça aposta na mobilidade sustentável

No Teatro Jordão teve lugar também a assinatura do protocolo de apoio ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (SUMP). O acordo envolve o Município de Guimarães, o Banco Europeu de Investimento (BEI) e a Comissão Europeia, e contou com a presença de João Fonseca Santos, diretor do gabinete do Grupo BEI em Portugal.

O protocolo prevê o financiamento, por parte do BEI, de um estudo global sobre a mobilidade no concelho de Guimarães. Este plano permitirá realizar um diagnóstico abrangente das necessidades de mobilidade, definir orientações estratégicas e apoiar decisões futuras em matéria de transportes públicos, circulação rodoviária e modos suaves.

O estudo inclui também trabalhos para o desenvolvimento do projeto MetroBus, sistema de transporte público em via dedicada que o município pretende implementar como parte da sua estratégia de descarbonização e reorganização da mobilidade urbana.

Na sua intervenção durante a assinatura do protocolo, Ricardo Araújo referiu que Guimarães integra a Missão das Cidades da União Europeia, que tem como objetivo alcançar a neutralidade carbónica até 2030, e que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável se insere nesse enquadramento.

Mobilidade como prioridade política

Em declarações aos jornalistas no final da sessão, o presidente da Câmara esclareceu que o Plano de Mobilidade Urbana Sustentável será um instrumento de planeamento global, abrangendo todo o território concelhio. Indicou que o estudo preliminar do traçado do MetroBus que será apresentado terça-feira, dia 13, será complementado com os estudos adicionais, agora assegurados pelo protocolo com o BEI.

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Ricardo Araújo afirmou que a mobilidade constitui uma prioridade da intervenção municipal para os próximos anos, considerando-a determinante para a qualidade de vida da população e para a redução das emissões associadas ao transporte rodoviário. Referiu que o município pretende reforçar a rede de transporte público coletivo, tornando-a mais abrangente, acessível e ajustada às necessidades dos utilizadores.

O autarca explicou que o MetroBus desempenhará um papel relevante tanto na mobilidade interna do concelho, assegurando ligações entre a cidade e as vilas, como na ligação a Braga e à futura estação de alta velocidade, contribuindo para a articulação regional.

Ano de implementação e avaliação de políticas públicas

O presidente da Câmara sublinhou ainda que o título de Capital Verde Europeia não representa o fim de um percurso, mas a continuação de um processo em desenvolvimento. Segundo Ricardo Araújo, a ambição do município passa por integrar a sustentabilidade de forma transversal em áreas como o planeamento urbano, a requalificação de zonas ribeirinhas, a qualidade do ar, a gestão da água e a proteção dos ecossistemas.

Ao longo de 2026, Guimarães irá promover conferências, iniciativas de sensibilização ambiental e projetos de intervenção no território. No entanto, o objetivo central é que, no final do ano, a sustentabilidade esteja consolidada como princípio orientador das políticas municipais e das opções estratégicas para o futuro do concelho.

Ricardo Araújo concluiu afirmando que o sucesso de Guimarães enquanto Capital Verde Europeia será avaliado sobretudo pelos resultados alcançados a médio e longo prazo, em termos de qualidade de vida, organização do território e compromisso dos vimaranenses com a sustentabilidade ambiental.

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