MOÇÃO DE QUÊ?

Por Ângela Oliveira,

Advogada

O porquê da moção de censura apresentada pelo CDS a semana passada, no Parlamento, ter ofendido tanto a esquerda portuguesa é um exercício inevitável a quem se propõe pensar um bocadinho sobre o estado da Nação.

Do ponto de vista lógico é incompreensível, mas a esquerda (PCP, PEV, BE e PAN) já não tem lógica há muito tempo. A dança “ ora critico o PS na televisão e jornais, ora bato palmas no Parlamento” deixa qualquer bailarino do fandango cansado. No Parlamento, incapazes na génese de fazer um discurso de apoio ao governo (não está na matriz da extrema esquerda apoiar qualquer poder democrático), as esquerdas unidas dedicam-se a fazer oposição à Direita. Conseguimos ouvir os ossos dos deputados da esquerda a estalar de tanto contorcionismo.

Não interessa à esquerda, que o CDS queira censurar o governo pela onda de greves que assola o país (em 2018 foram apresentados 260 pré avisos de greve, e em 2019 já foram apresentados 112); pelo bloqueio dos serviços públicos (sendo o estado de serviço nacional de saúde o mais calamitoso), pelo nível de impostos que pagamos; pela ausência de investimento público,…Não, isso não importa, isso não se discute, não interessa à esquerda.

Não interessa à esquerda que o CDS já tenha, em 2017, apresentado uma moção de censura ao governo aquando da incapacidade de resposta de António Costa aos incêndios e às consequências destes.

Não interessa à esquerda, que a última remodelação governamental tenha transformado o governo numa empresa familiar. Todos sabemos que se for a esquerda a nomear o familiar é por mérito. Ao PCP e ao BE isso não interessa. Interessa atacar a Direita, esse demónio.

O BE e o PCP conseguiram, durante a discussão da Moção de Censura, disputar mensagens de namoro a António Costa, levantando as cristas vermelhas – ó Sr. Primeiro Ministro, veja lá com quem é vai negociar daqui para a frente, olhe que eu estou aqui- surreal, nojento e surreal.

Pronto, já sabemos! Esquerda unida ao lado do PS. Já sabíamos, claro, mas agora temos um voto claro de apoio. É que não se abstiveram, podiam fazê-lo e a família socialista mantinha-se no emprego activo, mas não, votaram contra a moção.

Para a esquerda o CDS teve o atrevimento de apresentar uma moção de censura sabendo que não seria aprovada. Em toda a história da democracia portuguesa, apenas uma moção de censura foi aprovada, caindo o governo de Cavaco Silva. Todas as moções de censura restantes, inclusive as apresentadas pela esquerda, foram tomadas de posição políticas legítimas.

A esquerda está tão entretida no baile que se esqueceu que o Parlamento é o local adequado para os partidos que nele têm assento tomarem e discutirem posições políticas, e como se esqueceu ficou ofendida, porque tudo o que vem da Direita é mau.

Da crítica também não fica isento o PSD! Votou a favor mas com toda uma áurea de aborrecimento e pela fadiga de ter que tomar posição. O líder, Rui Rio, entendeu que não podia discutir a moção de censura porque o iria distrair das lides partidárias. O grupo parlamentar não gastou os tempos regimentais na discussão  nem se acalorou no debate, ficando muito aquém do que o alegado principal partido da oposição deveria fazer.

No fim, ficou bem na fotografia o CDS, porque marcou a sua posição com firmeza e clareza, sem nim´s.

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