MORADORES DE AIRÃO S. JOÃO EM SOBRESSALTO COM PEDREIRAS LOCAIS

Rebentamentos que interferem com a estabilidade das casas, estradas a uma curta distância de crateras com cerca de 100 metros de profundidade, água de poços contaminada e excesso de pó estão na base do descontentamento dos moradores de Airão São João.

 

 

A população de Airão São João vive entre empresas que se dedicam à exploração de pedra em grande escala e, para além de uma paisagem completamente modificada, sobressalta-se com as explosões, com a água contaminada, com o excesso de pó e com as crateras a poucos metros das bermas das estradas.

A realidade da Serra da Curviã, localizada entre os concelhos de Guimarães, Vila Nova de Famalicão e Braga, sofreu alterações com a instalação de várias pedreiras e também de pequenas empresas que trabalham a pedra. O verde da paisagem deu lugar ao cinzento das explorações e o dia-a-dia dos moradores tem sido afetado pelos trabalhos no local. “Há aqui um planalto onde existem muitas explorações de pedra e transformação de pedra, existem crateras com perto de 100 metros de profundidade, com águas paradas que contaminam a água e há a situação de muitas casas terem sofrido abalos e estarem rachadas devido aos abalos”, afirmou Manuel Cunha, morador na zona envolvente ao local.

O impacto das explosões provocadas nas pedreiras têm sido sentidos pelos moradores e as suas casas e estabelecimentos têm sofrido danos. Há mesmo relatos de fragmentos que saíram dos limites das empresas e acabam por atingir outras empresas e a via pública. “Acho que não há fiscalização nos rebentamentos que usam, a potência no material que usam não deve ser fiscalizada porque ouve-se a muitos quilómetros de distância e toda a população sente a vibração. Normalmente só há rebentamentos perto do meio-dia ou das seis da tarde”, explicou Manuel Cunha.

Marçal Mendes, presidente da Junta de Freguesia da UF Airão Santa Maria, São João e Vermil, já foi contactado pela população, que se tem mostrado preocupada com os problemas de estabilidade provocados pelos rebentamentos. “Eu estou na Junta de Freguesia precisamente há um ano, não sei o que foi feito pelo anterior executivo. O que me chegou por via da população são reclamações do barulho e dos rebentamentos de pedra, que têm causado problemas de estabilidade nas habitações”, admitiu Marçal Mendes.

De acordo com o líder autárquico, as preocupações dos residentes têm sido reencaminhadas para a Câmara Municipal e já terão sido feitos testes de som no local. “O que nós temos feito é reportar à Câmara Municipal de Guimarães, que é a entidade mais próxima da Junta, para que depois tome as providências necessárias. De acordo com relatos da população foram feitos testes de som ainda há pouco tempo, mas o que é certo é que esses testes de som são feitos em alturas em que as pedreiras não fazem rebentamentos tão grandes. Quando os fiscais saem de lá, voltam aos grandes rebentamentos e colocam em causa a estabilidade das habitações”, revelou o presidente da Junta de Freguesia.

A contaminação das águas e o pó, que é mais intenso no verão, são outros dos fatores que afectam a população e as produções agrícolas. “Os vinhos estragavam-se por causa do pó, vinhos que eram de qualidade. Se não chovesse, quando colhiam as uvas, iam contaminadas com pó, que estragava o vinho”, afirmou Manuel Cunha.

Contactada pelo Mais Guimarães, e até ao fecho desta edição, a Câmara Municipal de Guimarães não se pronunciou.

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