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NOC NOC: NÃO É PRECISO BATER, A PORTA ESTÁ SEMPRE ABERTA

Abertura é a palavra de ordem no Noc Noc. A cidade abriu as portas a todos os que quiseram entrar e recebeu de braços abertos os ritmos da Guiné-Bissau.

O sino deu o aviso. Quando o relógio da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira bateu nas 15h00, o largo começou a encher-se de gente. Sabia-se “que alguma coisa” ia acontecer por ali, mas pouco mais. À medida que o tempo avançava, chegavam mais pessoas, munidas com calçado confortável e um mapa, percebiam que a festa estava prestes a começar. Alternando o olhar entre o papel e o Largo da Oliveira, gerava-se expetativa.

Não foi preciso espera muito. 15 minutos depois da hora chegou um dos convidados de honra: o grupo Pataca do Norte, originário de Cacheu, no norte da Guiné-Bissau espalhou música e cor pelo centro histórico. E não se despediram sem um prolongado aplauso.

Entre eles há alguém quem sobressaia. Ademir Freira não traz farda. Um dos fundadores do grupo, Ademir vê semelhanças entre Guimarães e a cidade de Cacheu, onde nasceram os Pataca do Norte.

“O grupo nasceu no berço da Guiné, na cidade de Cacheu. Tal como Guimarães é o berço de Portugal. Fomos fundados em 1997. Antes do conflito militar [de 1998] na Guiné. No momento do conflito político e militar, o grupo que anima os populares que fogem para a cidade de Cacheu”, revela o guineense que veio para Portugal há 35 anos. Ao seu lado, Sana Mané, responsável pela caravana deixa elogios à cidade e uma esperança: “A cidade foi maravilhosa connosco. Ficamos muito contentes por se tratar de uma ciadade histórica, as duas cidades poderiam assinar cooperação”.

Há um brilho nos olhos de Ademir porque é a primeira vez que o grupo atua fora da Guiné-Bissau. Apesar de não ter vindo com o grupo da Guiné, fez o esforço para acompanhar os colegas. “Fomos bem recebidos. O festival vai correr bem”, afirma, convicto.

Horas para vaguear

E se pode ser apenas uma opinião de quem não tem forma de comparar com experiências anteriores, há quem possa confirmar que o festival está de boa saúde. Ricardo Areias vagueia com os dois filhos pelo centro histórico. É presença regular no festival, não fosse também diretor artístico do Centro para assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA) – onde estão expostos nove projetos. “Venho desde o princípio. Acho que a cada ano que passa o festival está mais completo e espero que continue a mostrar artistas emergentes”, diz.

A cidade ganhava movimento e cada recanto do centro histórico observa-se o mesmo fenómeno: os corpos param na rua para olhar para o roteiro e alinham a direção. É uma caminhada cultural que até os próprios artistas fazem. Inês Mendes e Gonçalo Rodrigues andam à procura de “boas performances”. Têm trabalhos “no 3”, que é como quem diz no ASMAV – há perto de 60 locais a receber exposições, todos eles numerados – e aproveitam para ver o que o festival tem para oferecer.

Mas há quem ainda não tenha conseguido espreitar o resto do festival. Serve de exemplo Fulgêncio Silva. Está no corredor da Santa Casa da Misericórdia a trabalhar algum pormenor de uma escultura e tem os dedos cheios de tinta. Fala com energia. É sucinto a descrever o festival: “Fantástico”. “Temos cultura em todas as esquinas. Dá para ver coisas variadíssimas. Quem tem coragem de expor é gente com muita qualidade”, continua.

Já é a segunda vez que expõe no Noc Noc. Acha o festival “muito importante”. “Nota-se perfeitamente que as pessoas vêm visitar e gostam do que vêem”, assinala. Perto da Santa Casam, na Rua da Rainha D. Maria II há movimento. A exposição do artista vimaranense Rafael Oliveira atrai curiosos que entram e ficam pelo talento. Há corpos cansados, espaços transitórios, dor e decadência. “O meu projeto anda em volta da fragilidade da vida. Da finitude”, afirma. Reconhece que é especial expor em Guimarães: “sinto-me muito em casa.”

O festival vai continuar de portas abertas amanhã (domingo, dia 06 de outubro). Este ano o conta com o segundo maior número de projetos e só fica atrás da edição que coincidiu com o ano em que Guimarães foi Capital Europeia da Cultura

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