O comércio de rua e a maior de todas as leis

Por Eliseu Sampaio.

Esta pandemia veio dar-nos as voltas, ao ponto de andarmos nos últimos meses feitos baratas tontas à procura de soluções para problemas urgentes. Urgentes e importantes.

Hoje escrevo sobre o nosso comércio de rua, e sobre uma lei que, mais que todas as outras, rege este setor: A lei da oferta e da procura.

Guimarães foi, durante séculos, um local de convergência de pessoas e mercadorias, um ponto de encontro destacado no mapa no norte do país. Foi-o, pelo menos, desde a idade média, quando sabemos que se tornou relevante.

Foi-o por esses séculos fora, tendo aqui instaladas indústrias importantes, como as ligadas ao setor têxtil, cortumes ou cutelarias. Lembramos os famosos armazéns vimaranenses que comercializavam os seus produtos, que tinham fama além das nossas fronteiras e que aqui traziam gente de todo o lado. Destaco também a Grande Exposição Industrial de Guimarães de 1884, um momento de afirmação do concelho, da sua indústria e o seu comércio a nível nacional.

Nestas últimas décadas, vários fatores contribuíram para o declínio do comércio de rua em Guimarães. O débil investimento nas vias de ligação a Braga, Famalicão ou Santo Tirso, conjugado com a criação de uma autoestrada que permite o acesso a cidades como Braga ou Porto em poucos minutos, foi uma delas. Quem vinha a Guimarães de concelhos Vizinhos, desde logo Vizela, que dinamizou o seu próprio centro, Fafe, Felgueiras ou das terras de Mondim, chega também agora a outras paragens. Guimarães perdeu posição regional, no que ao comércio diz respeito, é uma constatação.

Guimarães tem vindo também a perder população nos últimos anos. Tal resulta da quebra da taxa de natalidade, da dificuldade em atrair ou fixar pessoas, mas também da diminuição da construção no concelho. A criação de bolsas de construção com alguma dimensão como as que têm sido anunciadas nos últimos tempos são bem-vindas, podendo pecar apenas por tardias. É necessário aumentarmos a população residente em Guimarães e, consequentemente, o consumo interno. Só assim, resolveremos parte deste nosso problema.

Como uma coisa leva à outra, a falta de consumidores origina, inevitavelmente, a decadência da oferta, e isto transforma-se numa bola de neve que vai crescendo com o tempo. Uma bola que é urgente, e importante, parar.

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