O MULTIUSOS JÁ É MAIOR DE IDADE E AGORA PENSA NO FUTURO

Inaugurou em 2001 com a promessa de fazer chegar a Guimarães os maiores eventos. Afirmou-se com o passar dos anos. Albergou concertos de Bryan Adams, dos Scorpions e de fenómenos pontuais como Floribella. Acolheu campeonatos do mundo no domínio desportivo, abriu portas a feiras e feirinhas. Aos 18 anos, o Multiusos de Guimarães continua a fazer jus ao nome, mas isso não quer dizer que não haja espaço para crescimento. Até porque novos concorrentes surgiram nos últimos tempos

© Amadeus Mendes

Maioridade: a meta da (aparente) liberdade, a idade em que as justificações caem, a entrada numa vida, à partida, com mais e maiores responsabilidades. O Multiusos chega, em novembro — mais propriamente no dia 17, domingo — aos 18 anos. Foi inaugurado em 2001 com um concerto de Gal Costa, uma das maiores vozes da música brasileira contemporânea, com a participação de Dori Caymmi e do vimaranense Manel d’Oliveira. O limite máximo de ocupação do Multiusos de Guimarães é de 10 mil lugares, sendo que na grande Nave existem ainda três salas de conferências, com capacidade entre 50 a 200 pessoas. O que espera à maior sala de eventos do concelho (e uma das maiores do Norte) na chegada a esta data singular?

Para Amadeu Portilha, presidente da direção da Tempo Livre (a cooperativa municipal que gere o Multiusos), o edifício “pode ser melhorado” — e isso não se traduz num aumento da dimensão do local. E, segundo o mesmo, há disposição por parte do Executivo Municipal para “uma requalificação do Multiusos”.

Não é que esteja desatualizado: a arquitetura do edifício estabelece um diálogo com a área envolvente através dos traços contemporâneos e dos materiais utilizados. Salta à vida o verde que reveste a maior parte da sua estrutura e de longe conseguem-se ler os nomes que, quase todos os fins de semana, se inscrevem no topo de uma das fachadas.

Mas, segundo Ricardo Costa, vereador da Câmara Municipal de Guimarães, há um importante passo a dar: coloca-lo a par da “transformação digital dos dias de hoje”. “É tempo de fazer um ‘upgrade’. Temos refletido e falado com o presidente da Tempo Livre e da Câmara Municipal”, começa por explicar. Essa nova faceta do Multiusos poderá ser atingida através de “painéis comunicativos”, que dinamizarão a comunicação entre utentes e colaboradores do Multiusos. Por isso, a “desmaterialização do Multiusos” também se afirma como uma das bandeiras a hastear nos próximos anos — e sempre “na senda do desenvolvimento”. Amadeu Portilha partilha da opinião do vereador: é preciso “dotar o multiusos de novas ferramentas, novas tecnologias, fazer novos investimentos no interior”.

Novos espaços semelhantes representam desafios

Integrar o Multiusos na realidade tecnológica dos edifícios de espetáculos dos dias de hoje é, também, uma resposta ao surgimento de outras salas. Mesmo aqui ao lado, em Braga, o Altice Fórum já se tornou na maior sala de espetáculos do Norte (e é a 2.ª maior do país, atrás da arena com o mesmo patrocinador, em Lisboa). Tem lugar para 12 mil pessoas no pavilhão de concertos, sendo que cabem mais de 20 mil no espaço exterior. Já a Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota, tem capacidade para 8 mil pessoas, no máximo, para além de mais 500 que cabem num novo auditório. O Pavilhão Rosa Mota foi inaugurado em 1991, mas a reabertura do mesmo aconteceu no final de outubro, depois do investimento de privados para a reabilitação do edifício. E já que falamos em multiusos, o de Gondomar, inaugurado em junho de 2007, chega aos 6.500 lugares sentados.

© Direitos Reservados


Mas, para Ricardo Costa, a “competição” não traz só dificuldades: é um novo desafio para o Multiusos. “Estas salas, tendo públicos-alvo semelhantes, trazem mais dificuldades, mas também maiores desafios. Temos de olhar para esses desafios no sentido de aumentar a dimensão do Multiusos e a competitividade do mesmo. E isso é que nos leva a fazer um upgrade importante para sermos melhores do que as outras salas.”

Entre o Multiusos de Guimarães e o Altice Fórum, por exemplo, distam cerca de 20 quilómetros, sendo este o “concorrente” direto da sala de eventos vimaranense. Mas a relativa proximidade de espaços como o Multiusos de Gondomar e o Super Bock Arena (ambos a perto de 60 quilómetros de distância do Multiusos de Guimarães) também pode pesar na estratégia definida por cá. Para além disso, há um impacto no tecido económico do concelho.

Em mais de 12 mil metros quadrados e 18 anos de história cabe muito: do mundo do espetáculo ao desportivo, passando ainda pelo empresarial e económico, o Multiusos albergou mais de 750 eventos ao longo dos anos, diz o site do espaço, contando com mais de três milhões de visitantes. E isso, diz Amadeu Portilha, representa, no final de contas, “um balanço extraordinariamente positivo”. “É um dos principais ativos da cidade”, refere o presidente da direção da Tempo Livre, frisando o impacto económico daquela infraestrutura. “Produz muita riqueza para a economia local e faz com que a mesma tenha movimento e se valorize. Para além de beneficiar o público”, diz Amadeu Portilha. Para o vereador das Finanças e Desenvolvimento Económico, o Multiusos continua a ter “um papel muito importante” na economia vimaranense.

A democratização do acesso à cultura e ao entretenimento

O Multiusos, “a par do Centro Cultural Vila Flor”, foi um “elemento fulcral para democratizar o acesso à cultura e ao entretenimento”, diz Amadeu Portilha.

E também ao desporto, já que, logo no primeiro ano, em dezembro, o Multiusos albergou a partida de basquetebol entre Benfica e Porto, da Liga Profissional. Em 2001, sete semanas separavam a inauguração do Multiusos do último dia do ano: nesse espaço de tempo, oito eventos realizaram-se naquele edifício. No ano seguinte, foram 52 os eventos ali organizados, entre o Torneio Internacional de Andebol a abrir o ano ou o Festival de Música Eletrónica, mais abaixo no calendário.

Por ali passaram ainda Daniela Mercury, Bryan Adams, Scorpions, Tony Carreira, Floribella e outras centenas de artistas dirigidos a todo e qualquer tipo de público.

A Taça Latina de Hóquei em Patins teve destaque em 2003, bem como o Torneio Nacional de Badmington (2004) ou, ainda este ano, a Taça Mundial de Ginástica Artística. Albergou também a abertura da Capital Europeia da Cultura e da Cidade Europeia do Desporto, em 2012 e 2013, respetivamente. E sem esquecer a final do Festival da Canção, no ano passado.

Este ano, o Multiusos fecha “com uma das melhores taxas” relativamente ao número de eventos por fim de semana: 80%. “Praticamente todos os fins de semana têm eventos”, aponta Amadeu Portilha, referindo ainda que isso se reflete na aposta de produtores na cidade de Guimarães, que lhes é “apetecível”. “Temos permitido o aumento dos horizontes culturais. E a cultura e a educação são valores fundamentais na sociedade”, sublinha. Para o ano, já estão “programados eventos que podem trazer milhares de pessoas”, como o Campeonato do Mundo de Juniores de Ténis de Mesa. Enquanto se espera pelo futuro — e do que as tecnologias poderão fazer pelo espaço — há muito mais para ver no Multiusos.

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