O Sopro da Vida: Nelson Xize dá cor aos corredores do Hospital

O mural “O Sopro da Vida” foi inaugurado esta manhã no Hospital da Senhora da Oliveira durante as comemorações do 30.º aniversário. O mote é dado pela padroeira cidade, Nossa Senhora da Oliveira, que dá o nome ao hospital. “É ela que sopra o ramo da Oliveira e, a partir daí, é o nascer, a vida desde o início até à situação de tirarmos a máscara”, explicou Nelson Xize.

© Joana Meneses/Mais Guimarães

Nos últimos dois anos a realidade mudou e Nelson Xize, que se considera uma “pessoa atenta”, tentou fazer a sua parte como cidadão. É daí que surge a inspiração para esta ilustração. “Toda a minha vida ajudou”, conta lamentando que “a sociedade não está preparada para uma pandemia. Espero que tenhamos aprendido muito com estes dois anos de luta. Provamos que o ser humano se relevou um bocadinho egoísta, não respeitou os profissionais de saúde. Em última instância, são eles que têm que dar o corpo ao manifesto”.

O mote é dado pela Senhora da Oliveira que sopra um ramo da Oliveira e aí começa a vida. A ilustração conta quase que uma história, desde o início, o primeiro sinal de vida, o batimento cardíaco e a maternidade. Nelson Xize destaca “a importância da mulher” e continua: “o bebé cresceu. A criança, e as crianças são uma alegria, olha para o planeta, vê que estamos doentes e lança o balão do amor, o balão da esperança”. Segue-se, então, uma ampulheta, símbolo da procura da cura. “A partir daqui é uma ode aos profissionais e à luta que não foi fácil”, frisa.

Agradecendo aos profissionais, que vê como “super heróis”, e acreditando que “só com amor e união é que isto lá vai”, o artista faz referência a “todo esse processo da luta, mas também às instituições do Estado”. Por esse motivo, o mural apresenta, em frente ao Castelo, Afonso Henriques com profissionais de diversas áreas que estiveram no combate à pandemia.

O mês de trabalho nas paredes do hospital permitiu a Nelson Xize recolher já algum feedback. “Tem muito covid”, diziam algumas pessoas que por lá passavam. A resposta era simples: “é o meu papel como artista. Temos que encarar a realidade das coisas. É importante referir esta luta para também aprendermos alguma coisa. Não é fugir dela, é termos noção de tudo”.

Por outro lado, tem recebido também opiniões muito positivas e relembra que só agora é que o mural vai ser visto por mais pessoas. “Daqui de dentro, foi cinco estrelas, muito bem recebido por todos os profissionais”, destaca. “Não podia estar mais contente”, disse enquanto percebia que só agora está a digerir este trabalho. “Às vezes gostava de ter mais tempo para digerir o que faço”, desabafa.

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