OS EUCALIPTOS QUE SECAM TUDO À SUA VOLTA

por PAULO NOVAIS
Professor de Inteligência Artificial

Segundo os especialistas, o eucalipto é presentemente a espécie que na floresta portuguesa ocupa uma maior área. A espécie é originária da Oceânia, em particular da Austrália, onde constitui a vegetação predominante. Pertence à família das Mirtáceas, existindo mais de 700 diferentes variações dentro da espécie e tem uma particular capacidade de adaptação a praticamente todas as condições climáticas.

Uma das características principais do eucalipto é que apresenta um rápido crescimento e absorve grandes quantidades de água, o que lhe confere uma acentuada vantagem competitiva sobre outras espécies, mas por outro lado pode ter efeitos nocivos para a biodiversidade nos ecossistemas.

Existem associados ao eucalipto toda uma série de mitos (que não estão cientificamente comprovados ou na sua generalidade não correspondem à verdade), destacando-se os que referem que seca e empobrece o solo e gera um deserto verde. O mito que o eucalipto seca tudo à sua volta é muitas vezes também utilizado e associado a “homens que secam tudo à volta”. Por exemplo, muitas vezes se diz que os grandes secam tudo à sua volta dando a entender que os poderosos (num determinado contexto) não permitem veleidades ou não dão oportunidades aos outros.

Os “Eucaliptos” que secam tudo à sua volta são uma espécie que tem vindo a ganhar adeptos e a vulgarizar-se. São indivíduos que no seu dia-a-dia, por norma, são afáveis e têm uma assinalável facilidade de se relacionarem com os outros, de comunicarem, no fundo expressam-se bem, falam simples e repetem a exaustão cassetes e frases feitas, mas conhecem muito bem a sua malta.

São indivíduos que utilizando esta proximidade são capazes de se rodearem de correligionários fiéis, que não discutem nem lhe desobedecem – a voz do Eucalipto é assim a “lei” que domina. Nos seus domínios controlam as diferentes organizações colocando aí os seus “fiéis” – o Eucalipto tem raízes profundas e distribuídas no seu meio ambiente, empobrecendo desta forma o seu habitat porque não permite o aparecimento da diversidade.

Mas é também o Eucalipto que, usando as suas raízes, está atento às necessidades e aspirações dos seus “fiéis”, tentando nunca ir contra a vontade deles e encontrando sempre as desculpas e os responsáveis pelas eventuais promessas não cumpridas – o Eucalipto está sempre do lado certo e nunca erra e se for necessário cria um fait divers e assim, desta forma, consegue criar a ilusão de que tudo está bem e calmo no “deserto” que o envolve.

Estes Eucaliptos têm o hábito de utilizar a seu belo prazer os “fiéis” e dispor as diferentes peças pelos tabuleiros em que jogam e nesse sentido não gostam e ofuscam tudo o que lhe possa retirar visibilidade – o Eucalipto é o natural centro de todas as atenções.

A árvore, em Portugal, comporta-se como uma espécie invasora, mas de facto tem um elevado valor económico que está associado a produção de madeira para a indústria da celulosa. Os “Eucaliptos” não serão uma espécie invasora (porventura sempre existiram por aqui, como tão bem retratou Eça de Queiroz) mas têm um efeito prejudicial na nossa sociedade por serem uma força castradora e redutora que limita o progresso. Até porque como diz um proverbio de tradição popular “só percebemos o valor da água depois que a fonte seca”.

 

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