Polícias da PSP juntam-se em Guimarães para pedir mais efetivos e o cumprimento do acordo de 2024

ASPP/PSP defende que a falta de agentes na rua se deve a falta de investimento e diz que os polícias não são responsáveis por ela.

@ Mais Guimarães

A Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) realizou esta sexta-feira, em Guimarães, uma ação de protesto sob o mote “Por um Portugal seguro para todos”. A concentração foi frente à Divisão Policial e seguiu em desfile até à Câmara Municipal.

O presidente da ASPP, Paulo Santos, explicou que a ação resulta de uma deliberação da direção de 10 de setembro. Segundo disse, o Governo não deu seguimento ao acordo assinado em 2024, que previa melhorias salariais e a reestruturação dos suplementos e do estatuto profissional. “Entretanto, passaram duas ministras, nada foi feito”, afirmou. Sobre o ministro da Administração Interna, Luís Neves, disse que, passados seis ou sete meses, “as negociações continuam muito vagas” e que não há qualquer proposta concreta.

O dirigente sublinhou que o protesto pretende também chegar a comerciantes e populações. Referiu que autarcas, comerciantes e residentes se queixam da falta de policiamento de proximidade e defendeu que a responsabilidade “não pode ser assacada aos próprios profissionais”, mas sim à falta de investimento. Considerou ainda que o ministro “não está a ter o peso político” junto do Governo.

Paulo Santos alertou para a dificuldade de recrutamento. Nos últimos quatro anos, os concursos da PSP tiveram menos candidatos do que as necessidades. O curso em formação na Escola Prática de Polícia tem cerca de 640 formandos, para um concurso aberto para 800 vagas. O reforço dos aeroportos está, segundo disse, a retirar polícias às esquadras, e Guimarães é “um bom exemplo”.

“Polícias também são consumidores de segurança”

Fernando Freitas, agente da PSP em Guimarães e dirigente da ASPP, afirmou que as reivindicações valem para todo o país: mais investimento, valorização da condição policial e uma carreira mais atrativa. “Os polícias, na qualidade de cidadãos, também são consumidores de segurança”, disse. Acrescentou que a ausência de polícias na rua “transmite uma sensação de insegurança”.

Sobre as instalações, Fernando Freitas indicou que a divisão de Guimarães está a ser remodelada e que as condições em Famalicão já melhoraram. No Comando Distrital de Braga, porém, há tetos em amianto e infiltrações de água há vários anos. Existe um plano de reestruturação, mas “aquilo não avança”, afirmou.

Contexto

A ação de Guimarães integra um ciclo de protestos da ASPP, previsto entre 22 de setembro e 30 de outubro, com ações já realizadas no Porto, Leiria, Lisboa e Faro. A estrutura organiza-o em conjunto com a APG/GNR. Seguem-se o Funchal (20 de outubro) e Ponta Delgada (21 de outubro), e uma manifestação nacional em Lisboa a 29 de outubro.

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