Polícias estão cansados de tanta fiscalização
Pelo 13.º fim de semana seguido, não vai ser possível circular entre concelhos, ou seja, PSP e GNR andam em ações de fiscalização sucessivas há quase três meses.

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Pelo 13.º fim de semana seguido, não vai ser possível circular entre concelhos, ou seja, PSP e GNR andam em ações de fiscalização sucessivas há quase três meses.

A partir da próxima sexta-feira, 26 de março, e até 5 de abril, a primeira segunda-feira a seguir à Páscoa, Portugal entra numa nova fase em que é proibida a circulação para fora do concelho do domicílio, desta vez durante 11 dias seguidos, com as habituais exceções.
Desde a passagem de ano, ou seja, há 12 fins de semana seguidos, esta restrição de circulação está imposta e quem trabalha nas forças de segurança admite que é cada vez mais difícil garantir que a letra da lei é respeitada.
O Sindicato Nacional da Carreira de Chefes da PSP revela que os polícias andam, também eles, “cansados”, à TSF.
“Convém não esquecer que as forças de segurança estão empregues em ações de fiscalização sucessivas e com muita dificuldade irão tentar fazer cumprir mais este período de fiscalização”, diz Carlos Meireles, o presidente do sindicato dos chefes, que acrescente que “vale a pena dizer que o pessoal na atividade operacional está de facto cansado e esgotado”.
Para além desta fiscalização, os polícias alertam que continuam a ter de se preocupar com tudo o resto que já antes era o seu trabalho “normal”.
O presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) também admite que é cada vez mais difícil fiscalizar as regras do estado de emergência depois de tanto tempo com restrições.
“Há muitas pessoas que face à saturação da pandemia tentam furar, de alguma forma, as imposições e isso dificulta as operações de fiscalização no terreno”, detalha Paulo Santos que lamenta as sucessivas limitações às férias dos polícias – que só terminaram a 15 de março – e a proibição dos agentes que reúnem os requisitos de avançarem para a pré-aposentação.
A ASPP diz que a PSP vai tentar fazer o melhor, mas “não podemos estar em todo o lado”, revela Carlos Meireles que refere que nos últimos tempos “está a ser muito mais difícil fazer essa fiscalização porque as pessoas estão cansadas de estar confinadas e recorrentemente vão para a rua fazer atividades que não estão previstas no decreto o que obriga os polícias a terem cada vez mais interações”.
“Custa-me dizer isto pois a minha função é também pedagógica, mais vai ser muito difícil manter as pessoas durante tanto tempo sem sair do concelho”, num “trabalho acrescido para as forças de segurança”, relata o representante dos chefes da PSP.
Relativamente à GNR, o presidente da Associação dos Profissionais da Guarda crítica que os cursos de formação de novos militares estejam atrasados, há cerca de três meses, e que aquilo que está previsto no Orçamento do Estado ao nível do subsídio de risco para a Covid-19.
César Nogueira diz que basta andar na rua para perceber que “principalmente nos grandes centros urbanos parece que já desconfinou tudo” e “detalha que “vai ser impossível estarmos em todo o lado” até porque “já há postos sem efetivo e outros fechados temporariamente, por causa da pandemia, para reforçarem outros postos com mais trabalho”.





