Polopiqué vai mandar 400 trabalhadores para o desemprego
Um grupo de 280 trabalhadores da Cottonsmile e da Polopiqué Tecidos já foram informados do encerramento das unidades em que trabalham.

© Polopiqué
No âmbito de um plano de reestruturação do grupo, a Polopiqué vai encerrar duas unidades: a Cottonsmile, em Vizela, e a Polopiqué Tecidos, em Moreira de Cónegos. Há 280 trabalhadores que já foram notificados por correio eletrónico, depois de anteriormente terem recebido a promessa de pagamento do subsídio de férias ao longo desta semana. Como o MG noticiou, ontem, a empresa apresentou pedidos de Processos Especiais de Revitalização (PER) para a Polopiqué Confeção e para a Polopiqué Acabamentos. O grupo emprega cerca de 800 pessoas e prevê reduzir para metade a sua força laboral.
A Polopiqué SGPS, S.A. (holding que agrupa todas as unidades) fechou o ano de 2023 com 1,3 milhões de euros de prejuízo, melhor do que os dois milhões do exercício anterior mas, ainda assim, o grupo pretende livrar-se de alguns negócios menos rentáveis, para se concentrar nas unidades mais lucrativas. No âmbito deste plano, foram apresentadas à insolvência a Polopiqué Tecidos, S.A. que, em 2023, teve 1,6 milhões de euros de prejuízo, e a Cottonsmile que estava a acumular cerca de um milhão de euros de resultados negativos anuais.

© Polopiqué
“Quero que compreendam que esta não foi uma escolha tomada de ânimo leve, foi fruto de muitos anos de esforço, investimento e tentativas de salvar um projeto que, apesar de tudo, nunca foi estratégico para o grupo”, afirma o fundador da empresa, Luís Guimarães, no email dirigido aos trabalhadores da Polopiqué Tecidos que vão ser dispensados. “A decisão de encerrar a unidade de Tecidos é, por isso, uma medida necessária para proteger a Polopiqué” e salvaguardar centenas de postos de trabalho, acrescenta. Luis Guimarães recorda que, em 2011, quando adquiriu a empresa, o fez por “responsabilidade moral”, porque a empresa estava com salários em atraso a mais de 300 trabalhadores. Entre as razões apontadas para este encerramento estão: problemas decorrentes da pandemia, os custos da energia, a inflação das matérias-primas e as alterações profundas no mercado.
Faltas ao trabalho apontadas como causa do insucesso
Já no caso da Cottonsmile, as altas taxas de absentismo são apresentadas como uma das razões para o insucesso do projeto. “A Polopiqué fez tudo o que estava ao seu alcance para manter a unidade Cotton viva […] A realidade é que as taxas de absentismo foram insustentáveis, chegando a atingir 20 a 30 por cento nos últimos tempos”, lê-se no comunicado aos trabalhadores.
Segundo a própria administração já reconheceu, em declarações à comunicação social, o objetivo é reduzir a força laboral do grupo para metade, o que implica o despedimento de aproximadamente 400 pessoas. Na mensagem de correio eletrónico enviada aos funcionários, a Polopiqué compromete-se a cumprir com todas as suas obrigações, nomeadamente o pagamento dos salários de agosto, dos subsídios de férias e das indemnizações por cessação dos contratos de trabalho, depois da declaração de insolvência. De acordo com administração da Polopiqué “a implementação deste plano permitirá alcançar uma estrutura mais equilibrada, resiliente e preparada para crescer de forma sustentada”. A empresa compromete-se a conduzir a reestruturação “com total sentido de responsabilidade social”.

© Polopiqué
Empresas em apuros já receberam 1,5 milhões de euros do PRR
A Polopiqué foi fundada em 1996, por Luís Guimarães. O grupo, com sede em Santo Tirso e ramificações a Famalicão, Vizela e Guimarães, é detido pelo fundador e pela ex-mulher, Filipa Guimarães. De acordo com dados do Portal da Transparência, as empresas do Grupo Polopiqué são beneficiárias de 3,2 milhões de euros em financiamentos no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência(PRR). Já foram pagos 1,5 milhões de euros, dos quais: 43 mil euros à Polopiqué Tecidos, que agora se apresenta à insolvência; 623 mil euros à Polopiqué Acabamentos e 846 à Polopiqué Confeções, que fizeram o pedido de PER, para negociar a dívida com os credores.
Pelo jornalista Rui Dias.