PSD QUER “FRENTE COMUM” PARA TORNAR NICOLINAS PATRIMÓNIO IMATERIAL DA UNESCO

A intenção de tornar as Festas Nicolinas Património Mundial Imaterial da Humanidade arrasta-se desde 2005.

© João Bastos/ Mais Guimarães

O vereador do PSD, André Coelho Lima, apelou à criação de uma “frente comum” para que a candidatura das Festas Nicolinas a Património Imaterial da Humanidade se torne uma realidade. O social democrata falava no período antes da ordem do dia da reunião do executivo, que se realizou esta segunda-feira.

A intenção de tornar as Festas Nicolinas Património Mundial Imaterial da Humanidade arrasta-se desde 2005, quando o historiador Lino Moreira da Silva, através de um artigo de opinião, deu origem a uma moção apresentada por André Coelho Lima (agora vereador do PSD), em Assembleia Municipal. “Nesta fase, não quero saber por que é que tem demorado tanto tempo. O que importa saber é o que fazer daqui em diante e manifestar a nossa disponibilidade para fazer uma frente comum para que a candidatura seja uma realidade”, afirmou.  O social democrata recordou que, em 2005, a moção foi aprovada por subscrita por todos os partidos na Assembleia Municipal. “Houve nessa altura uma frente comum. Vamos regressar a esse ponto, 14 anos depois”, apelou.

André Coelho Lima defendeu ainda que “é muito importante para Guimarães poder associar este património imaterial ao património material distinguido que já temos desde 2001 classificado pela UNESCO”. Nesse sentido, é importante que “o debate político não perturbe, mas contribua” para “tirar as pedras do caminho, para que seja possível obter a classificação das Festas Nicolinas”.

O também deputado na Assembleia da República frisou que existe, a nível nacional, “alguma ignorância do valor real as Nicolinas”, o que justifica que esta candidatura “não tenha tido outra importância”.  “Este sábado, a moina tinha mais de 500 estudantes a tocar caixa e bombo. E ninguém lhes ensinou o toque. A tradição é verdadeiramente popular no sentido em que passa de pais para filhos, entre irmãos, entre amigos… e toda a gente sabe. É uma coisa difícil de explicar e é aí que reside o seu valor antropológico”, defendeu.

Em resposta, a vereadora da Cultura, Adelina Paula Pinto, assegurou que a Câmara está cumprir a deliberação da Assembleia Municipal, que remonta a 2005. O pedido de inscrição das Festas Nicolinas no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial, da Direcção-Geral do Património Cultural (GGPC) está agora disponível na plataforma, segundo a vereadora. Já é possível consultar na plataforma daquele organismo as fichas submetidas, assim como as referentes ao pedido relacionado com a tradição das passarinhas e sardões, apresentada em 2015. “Isto significa que a plataforma já funciona, que é uma boa notícia. A má notícia é que continua tudo igual e continuamos sem nenhuma indicação. Dos contactos que temos feito com outras candidaturas, também não têm nenhuma resposta”, apontou.

A vereadora admitiu que o “arrastar” da candidatura “traz descrédito e cansaço num processo que é moroso”, porém, trata-se de uma questão “processual, muito complicada e que continua a figurar-se complicada”.  “A UNESCO está com imensos problemas com a questão do Património Imaterial, que é muito mais difícil de avaliar, digamos assim, e da disparidade entre patrimónios imateriais já aprovados em todo o mundo. Tentaremos dar um novo impulso do caminho que tem”, assumiu.

O presidente da autarquia, Domingos Bragança, garantiu o empenho do município “no êxito da candidatura”. “Todo o trabalho que possamos fazer em conjunto, devemos fazê-lo. Apoiamos vereador André Coelho Lima, que também é deputado da Assembleia da República, em todas as diligências que puder fazer, em parceria com a câmara. Isto é o mais importante e o melhor para Guimarães. O que fizermos em conjunto, fazemos melhor”, apontou.

Recorde-se que, a 13 de dezembro de 2018, foi apresentado o Estudo Antropológico das Festas Nicolinas de Guimarães pelo antropólogo Jean-Yves Durand, que referiu que “a inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial é um pré-requisito legal para a candidatura à UNESCO”, e que na altura, “a situação da política pública da cultura imaterial de Portugal tem muitos problemas”.  Jean-Yves Durand acrescentou que a questão do consumo de álcool nos jovens poderá ser um impedimento à candidatura da UNESCO.

0 Comentários

Envie uma Resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

©2019 MAIS GUIMARÃES - Super8

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?