Recordar… o Vitória #10

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A época anterior houvera sido inebriante… sedutora, capaz de fazer sonhar com um inédito título, que acabaria por não chegar, limitando-se a um terceiro posto.

Esta parecia ser incapaz de se repetir na excelência. Desde logo, as perdas haviam sido importantes. Marinho Peres e Paulo Autuori, os artífices do melhor futebol que o país vira no anterior ano, partiram. Para o seu lugar chegaria René Simões que não duraria muito no lugar e que, por alturas do seu despedimento daria azo à frase que celebrizaria o, então, presidente António Pimenta Machado: “o que hoje é verdade, amanhã é mentira.”

Mas, além destas mudanças no banco, destaque para a perda de dois homens que tinham sido determinantes nos momentos inesquecíveis dos dois anos anteriores. Falamos do ponta de lança Paulinho Cascavel, transferido para o Sporting, e de Roldão, que rumou à Pérola do Atlântico, para actuar no Nacional da Madeira.

Como referimos, o início da temporada foi sofrido, tremido, pelo que em Setembro René Simões já houvera sido despedido. Para o lugar dele, entrou um jovem treinador, que tinha sido um dos melhores médios ofensivos do futebol português e que aliava a isso a fama de “bon-vivant”. Falamos de António Oliveira, que dez anos depois desta passagem pelo Vitória, ainda, haveria de semear confusão sobre o seu périplo vimaranense, ao acusar o clube de ter falsificado a inscrição do zairense N’Dinga, tendo, segundo ele, o carimbo aposto no documento no seu cofre.

Porém, naquele dia 25 de Setembro de 1987, o entusiasmo no, então, Municipal era grande. O Vitória, fruto da classificação da temporada anterior, estreava-se em casa na Taça UEFA, cheio de esperança e em festa.

Cheio de esperança em ultrapassar os húngaros do Tatabanya, após ter empatado a um na primeira mão, disputada na cidade magiar.

Quanto à festa, seria a primeira vez que um jogo oficial seria disputado sob postes de iluminação, num momento que todos os vimaranenses quiseram participar depois da nossa valência ter merecido a estreia num jogo particular frente ao Rio Ave.

Quanto ao jogo, esse teria um único nome. Zairense, atento a aposta do clube nesses atletas, por essa altura. Kipulu que, chegado esse ano à Cidade do Rei, foi mágico, superlativo, prometendo ser a maior estrela de uma época que, ainda poderia ser recuperada. Foram tantos os dribles, as arrancadas, numa exibição coroada com o golo que confirmou a passagem à segunda eliminatória da prova.

Os novos postes de iluminação faziam cintilar a magia de um zairense, até então desconhecido!

Seguir-se-ia na aventura europeia, o Beveren da Bélgica, ultrapassado no desempate por grandes penalidades. Este modo de desempate deu a passagem aos oitavos de final, mas também tiraria o sonho de repetir a caminhada da temporada anterior até aos quartos de final. Na neve da República Checa, após ter vencido o Viktovice por duas bolas a zero em Guimarães, derrota por iguais números levaria ao fatídico desempate… o gelo congelaria a sorte vitoriana que terminaria aí a sua participação europeia, ainda assim uma das melhores de sempre e que acendeu a magia de um zairense de seu nome Kipulu!

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