Recordar… o Vitória #12

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

A época anterior fora um fiasco!

Paulo Autuori não tinha cumprido o que ambicionava, Pedro Rocha revelara-se um flop e só mesmo a aposta em João Alves, o Luvas Pretas, salvaria o Vitória de complicações e levaria a que este garantisse o lugar para a temporada seguinte, a de 1991/92.

Esta começaria, imediatamente, com um facto digno de regozijo para todos os vitorianos. Falamos da facada dada ao rival Boavista, que de uma assentada, viu Pimenta Machado roubar-lhe três valorosos atletas e que se revelariam preponderantes para o ousado sistema táctico de 3-5-2 gizado pelo treinador. Falamos do ala direito Jaime Alves, do central/líbero Frederico e do defesa esquerdo Caetano, que teriam papel essencial no xadrez vitoriano… se nos permitem o trocadilho, atento à proveniência destes!

Neste ano, chegariam também dois jovens que haveriam de ser relevantes no futuro do clube, quer pelas suas qualidades dentro das quatro linhas, quer pelo dinheiro que haveriam de propiciar aos cofres vitorianos. Assim, da Amadora, chegaria um médio defensivo, chamado Paulo Bento, que, de imediato, se assumiria como patrão da zona medular da equipa e de Freamunde um médio ofensivo, que, na altura, só se dava pelo nome próprio: Pedro. De imediato demonstrou ter um talento inato com a bola nos pés, mas, também, dono de um carácter, algo, irascível e que lhe custaria algumas expulsões durante a época.

Esta começaria de modo sumptuoso… a propiciar todos os sonhos… a fazer crer em que história poderia ser feita! Perante milhares de vitorianos, que fizeram a curta viagem que separa o Berço da Nação de Famalicão, os Branquinhos foram, simplesmente, arrasadores e venceram por quatro bolas a uma, numa exibição de compêndio, recheada, também, por magníficos golos de Ziad. A promessa de uma temporada de sonho confirmar-se-ia na jornada seguinte, com uma sempre saborosa vitória no Derby do Minho, por duas bolas a uma.

O entusiasmo começaria a esmorecer, contudo, na jornada seguinte, com a derrota na Luz, frente ao Benfica, a que se seguiria o empate caseiro frente ao Beira-Mar.

A este resultado seguir-se-ia um êxito na Madeira, frente ao União, e a confirmação do paradigma da temporada. O Vitória sentia inúmeras dificuldades no seu Castelo e acabaria, mesmo, por empatar 9 dos 17 desafios disputados no seu terreno. Salvar-se-ia, contudo, a excelsa carreira longe de Guimarães, onde os Branquinhos conseguiram vencer por 7 vezes, numa demonstração que o ousado modelo táctico idealizado por João Alves funcionava com maior êxito, quando a equipa podia apostar na vertigem das transições rápidas.

Porém, momentos houve que a época pareceu prometer muito mais! A sequência de sete desafios sem a equipa conhecer a derrota, após o desaire na Luz até ter sido abatida à bomba, no Estoril, por um tal de Erwin Sanchez (que sempre pareceu ter um especial gosto de marcar ao nosso clube), fez os adeptos sonhar. Ziad marcava golos como se não houvesse amanhã, destacando-se uma espectacular bicicleta ao Boavista, a equipa lutava com a faca nos dentes, como sucedeu naquele triunfo frente ao Sporting, em que a festa explodiu no último segundo graças ao autogolo do central Jorginho, e olhava de frente todos os adversários.

Porém, sempre com o mesmo estigma… os empates caseiros contra adversários com ambições mais modestas, e, muitas vezes, em desespero, com o central Frederico a acabar o jogo a ponta de lança!

Contudo esta maldição dos empates, teve episódio para recordar. Jogava-se frente ao FC Porto. Vítor Baia chegava a Guimarães sem sofrer golos, para o campeonato, há doze jogos… record europeu, repetido até à exaustão pela imprensa portuguesa! Cair-lhe-ia a honra em Guimarães, numa grande penalidade apontada por Paulo Bento, após falta de João Pinto sobre o malogrado Caio Júnior, que em tarde de inebriante acerto seria expulso por Pinto Correia… de modo a equilibrar um jogo, em que os Conquistadores mostraram o seu à vontade em jogar com espaços.

A temporada continuaria… com momentos altos como a vitória em Alvalade, graças a sublime exibição do guardião Madureira que defenderia uma grande penalidade e a (mais um!) golo de Ziad, a candidatar-se a lugar de honra nos melhores marcadores nacionais, onde haveria de terminar só atrás do boavisteiro Ricky e do leão Cadete.

A história de 91/92 haveria de terminar com os vitorianos no quinto posto, após acirrada disputa pelo terceiro posto com o Boavista e o Sporting. Os Conquistadores ficariam a três pontos desta dupla, numa altura em que a vitória ainda valia dois pontos.

João Alves anunciava no último desafio que não permaneceria no comando da equipa. Pimenta Machado, cansado de empates caseiros, apostava alto e promovia o regresso do D. Sebastião. Falamos de Marinho Peres, mas a jogada correr-lhe-ia mal… contudo, isso será outra história!

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