Recordar… o Vitória #42

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

As rúbricas de memórias deverão recordar eventos e heróis passados. Ídolos de um passado mais ou menos distante e cujos feitos já se encontram representados de forma ténue na nossa memória.

Apesar disso, este conjunto de textos que, desde o seu início, procuram lembrar momentos da história vitoriana, têm também outra função, em algum deles: o de homenagem.

Homenagem a homens que tudo deram pela causa que é a nossa. Homens que honraram a camisola do Rei. Homens que, com as suas alegrias, nos fizeram felizes e que nos desaires os amparamos…

Por essa razão, a memória hoje em liça, ainda é presente… ainda há pouco mais de um mês voava nas nossas balizas, ainda os miúdos usavam a sua camisola colorida, outros chamavam-no atrás da baliza e ele, com o seu tradicional sorriso, não dizia que não a algum chamamento! Também, por isso, Douglas se tornou especial… um brasileiro vimaranense! Agora, que se retirou urge lembrar um homem que desde 2010/11 se tornou num dos guardiões mais marcantes de uma história quase centenária.

Foram 235 desafios, desde aquele Janeiro de 2011, altura em que o brasileiro chegou proveniente do Ipatinga. O primeiro deles a 19 de Janeiro de 2011, num desafio da Taça da Liga, frente ao Arouca que o Vitória venceria por uma bola a zero, o último contra o Santa Clara, na Cidade do Futebol, num desafio sui generis… sem adeptos para aplaudir as equipas!

No seu entretanto, Douglas viveria numa montanha russa!

Primeiro como suplente do lendário Nilson, teria de esperar a partida deste para se fazer senhor das balizas vitorianas.

A sua primeira época como “Muralha” das redes vitorianas seria, talvez, a melhor. Aproveitando o sábio trabalho de Luís Esteves, um verdadeiro guru na preparação dos guarda-redes, Douglas seria a trave-mestra de um conjunto jovem, entusiasta e que surpreenderia o país ao vencer a Taça de Portugal. Nessa inolvidável conquista, o papel do “goleiro” foi superlativo. Assim foi preponderante nas eliminatórias frente ao Vitória FC e ao Marítimo, onde defendeu grandes penalidades pelo desempate por estas, realizou, talvez, uma das melhores exibições de um guarda-redes com a camisola do Rei nos quartos de final da competição frente ao rival Braga (aquela defesa aos pés de Custódio…) e seria o calmante dos meninos que jogavam à frente dele e dos 15000 mil que viajaram ao Jamor para trazerem o caneco para o Toural.

Continuaria indiscutível… um guardião de grandes momentos, pelo menos até à temporada de 2015/16, em que o treinador da altura, Sérgio Conceição, decidiu apostar em Miguel Silva, num célebre jogo frente ao Boavista. O brasileiro perderia o lugar, mas jamais os traços que fizeram dele um dos líderes do balneário. Ao invés de ficar aborrecido, amuado, tornou-se amigo e, praticamente, mentor do jovem vimaranense que, nesse ano, faria exibições que justificaram a titularidade.

Porém, no ano seguinte, tudo voltaria à forma habitual… com o jovem Miguel lesionado, Douglas assumiria as redes vitorianas. E terá vivido um dos episódios mais felizes como guarda-redes do clube… e que salvou da morte por enfarte milhares de vitorianos. Na verdade, quem poderá olvidar a meia final da Taça de Portugal, em Chaves, onde Douglas, no último minuto, defendeu a grande penalidade apontada por Braga, fazendo com que o Vitória tirasse o bilhete para o Jamor? Aí terá sofrido a maior das injustiças enquanto jogador do nosso clube. Tendo tido papel preponderante naquela caminhada, tendo sido um herói da conquista 4 anos antes, estando com um ritmo competitivo superior a Miguel Silva, seria óbvio que ocupasse o lugar de número 1 nessa final contra o Benfica… mas, no futebol nem sempre o óbvio é a realidade! Douglas ficou no banco a ver o Vitória perder, numa tarde infeliz do jovem Miguel.

Os anos seguintes intercalá-los-ia com o seu amigo nas redes do Rei! Umas vezes perdendo a posição, outras ganhando.

Umas vezes sendo infeliz (qual o guarda-redes que não é, por vezes?), outras preponderante, como naqueles minutos finais do Dragão, em dia de histórica reviravolta vitoriana, Douglas soube entrar na história vitoriana.

Agora que abraça novo desafio, apenas, podemos agradecer-lhe… foram (muitas!) mais as vezes que foi herói do que réu e isso num goleiro, talvez, seja o melhor dos elogios!

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