Recordar… o Vitória #47

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Nos dias em que o entusiasmo vitoriano encontra-se nos píncaros fruto da contratação de Ricardo Quaresma, uma contratação há 25 anos gerou uma onda semelhante de entusiasmo.

Falamos do momento em que Vítor Paneira chegou ao Vitória SC. Internacional português, médio direito de refinados recursos técnicos e de assinalável inteligência táctica, foi a contratação mais aplaudida dos Conquistadores na época de 1995/96.

Após sete temporadas no Benfica, proveniente do Vizela, incompatibilizar-se-ia com Artur Jorge, na altura treinador do clube e tornar-se-ia num dos objectos de desejo mais ardente daquele Verão quente para os lados da Luz. Os ventos eram de esperança em contar com ele nos vizinhos verdes e brancos e de contra-ataque sábio por parte de um ambicioso Vitória que sonhava encurtar, de modo decidido, a diferença para os crónicos candidatos.

Vítor vestiria de branco…com a camisola 7, número que era quase a sua segunda pele! Desencadearia a ilusão do crescimento, a capacidade de emancipação do clube do Rei e a certeza que a classe estaria sempre presente.

Porém, apesar do entusiamo gerado, a verdade é que os seus primeiros passos de Rei vestido seriam titubeantes… a classe estava lá, mas o jogador era um retrato da equipa treinada por Vítor Oliveira: apagado, triste, quiçá a remoer a mágoa do tratamento indevido a foi votado por Artur Jorge! E, nem o primeiro golo marcado de branco, numa derrota frente ao Salgueiros, apagaria esse sentimento de desilusão!

Tudo mudaria com a mudança de treinador. Com Jaime Pacheco no banco, Paneira voltaria a ser o que fora… aquele extremo capaz de ganhar a linha de fundo numa finta curta, para com mestria servir o avançado da sua equipa rumo ao golo! Como disse, depois, o treinador tinha a melhor ala direita da Europa: José Carlos a lateral, Paneira a descair para a ala e Capucho a extremo numa equipa que foi demolidora, irresistível e capaz de levar à loucura todos os vitorianos.

Paneira era o líder espiritual de uma equipa cheia de talento… de uma equipa que, logo, na época seguinte, olharia olhos nos olhos um dos maiores emblemas europeus: o Parma! Os italianos, em dia de estreia europeia de um tal de Gianluigi Buffon, cairiam em Guimarães, com a personagem principal destas linhas a apontar o primeiro golo de uma das noites mais belas, mais inesquecíveis e mais históricas do clube do Rei…aliás, em centenas de jogos europeus, seria o vitoriano a apontar o primeiro golo sofrido nestas competições pelo lendário guardião italiano!

Porém, a temporada não teria o brilhantismo da anterior…o Vitória, não obstante esse menor fulgor, apurar-se-ia novamente para as competições europeias, sempre com Paneira a comandar as tropas! Uma extensão de Jaime Pacheco no campo, um líder da equipa incontestado, respeitado pelos colegas e amado pelos adeptos!

A época seguinte seria a que Pacheco foi despedido para entrar Quinito. O velho Quinas amante de bom futebol, mas, necessariamente pragmático, atento à classificação ocupada pela equipa. Porém, para os mestres e génios tem sempre de haver espaço, liberdade criativa, compreensão para serem felizes. Seria assim com o jogador, novamente, líder da equipa… maestro a partir da parte destra do relvado… esperança num fogacho de resolver o jogo!

Sê-lo-ia nas assistências, na capacidade de ler o jogo, equilibrar a equipa, até a ensinar a sofrer, quando tal foi necessário.

A temporada de 1998/99 seria a última de Vítor Paneira com a camisola branca do Vitória. E, também, a pior a nível colectivo. Com Zoran Filipovic no banco voltaram os tempos cinzentos, sem chama de Vítor Oliveira. Pese embora, a robusta goleada ao eterno rival, por cinco bolas a uma, onde o jogador marcou o seu último golo de Rei ao Peito, e outros parcos momentos, o sérvio não foi capaz de dotar a equipa de regularidade.

Seria despedido, para fazer regressar Quinito que terá dito uma daquelas suas frases que haveriam de entrar na história. Referindo-se aos homens rodados da equipa como José Carlos, Márcio Theodoro, Edmilson e, mesmo, Vítor Paneira, disse que “os nossos jogadores têm de voltar a sentir prazer em olhar-se ao espelho e chegar brilhantina no cabelo, como rapazes de 20 anos”. Verdade seja dita…a produção dos homens do Rei melhorou significativamente, com Paneira, secundado por Edmilson, Fredrik ou Riva a espalharem magia por esses campos fora.

Porém, a temporada não acabaria da melhor maneira! Em dia de enchente branca, em Alverca do Ribatejo, em embate que era obrigatório vencer para o Vitória apurar-se para as competições europeias, a nossa equipa perderia por duas bolas a uma…e o sonho morreria!

Era o último jogo de Vítor Paneira pelo Vitória…desiludido com o falhanço, Pimenta Machado resolveu revolucionar a equipa! O artista da camisola número 7 partiria para duas temporadas em Coimbra…com a certeza, contudo, que se tornou inesquecível em Guimarães!

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