Recordar… o Vitória #5

Por Vasco André Rodrigues,
Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Gigante abatido

Depois daquela segunda volta a que aludimos na história anterior, veio a desejada recompensa: a participação na Taça UEFA.

Por essa razão, naquele final de Agosto de 1996, os vitorianos aguardavam com expectativa o momento em que os bombos ditariam a sorte dos Branquinhos.

Uns desejavam um adversário com pouca reputação, mas se existissem casas de apostas, por aqueles dias, dessem o Vitória como favorito. Outros sonhavam com um tubarão europeu… daqueles que colocassem os Conquistadores à máxima prova! Seriam estes a sorrir…

Do sorteio, sairia uma das melhores equipas da Serie A italiana, por aqueles dias, provavelmente, o melhor campeonato do mundo. Falamos do Parma, que, por esses dias, sonhava destruir os impérios construídos pelo AC Milan e pela Juventus. Uma força emergente, sustentada pelo muito dinheiro do grupo lacticínio Parmalat que, por aqueles dias, estendia a sua força pelo mundo.

Tarefa impossível alvitraram os “especialistas”. O adversário mais difícil de todos, concordaram os optimistas e os pessimistas! O clube “ducale”, depois do sexto posto da pretérita temporada, olhava com avidez para aquele ano! No banco aparecia um jovem treinador chamado Carlo Ancelotti, que substituía um dos grandes símbolos do clube, Nevio Scala. Mas, se Ancelotti era apenas o treinador, o que dizer de nomes como Thuram, Fabio Cannavaro, Dino Baggio, Stanic, Zola, ou Crespo, entre tantos outros?

Seria uma tarefa para duros… alimentar um sonho de uma equipa, que na liga nacional, nem sequer se estava a exibir no máximo das suas capacidades, sentindo as perdas de homens como Zahovic ou Nuno Espírito Santo.

O primeiro desafio, naquele dia 10 de Setembro, no Tardini, ficaria famoso pela frase de Jaime Pacheco, o treinador, no lançamento do jogo “vamos jogar ao ataque, fechadinhos cá atrás”. Sinal da necessidade de manter uma postura conscienciosa, não abrir espaços aos mortíferos ataques transalpinos e aguentar… aguentar muito!

O Vitória até encetaria a missão com distinção… talvez, pelos italianos menosprezarem a capacidade dos Branquinhos! Porém, aquele golo no final da primeira parte de Enrico Chiesa, parecia colocar a lógica acima da paixão!

Porém, a segunda parte seria inundada por uma incomensurável onda… de esperança! O golo de Gilmar a empatar a partida parecia querer dizer que a eliminatória não seria favas contadas para os “homens do leite” e nem o bis, quase logo de seguida, de Chiesa esbatia essa ideia! Tudo seria decidido em Guimarães… quem diria?

Na Cidade do Rei, destaque, desde logo, para um facto, ou um nome, que ainda continua actual no futebol mundial: Gianluigi Buffon, ainda guarda-redes da Juventus e que fez a sua estreia em competições europeias, aos 18 anos, naquele 24 de Setembro de 1996, em Guimarães.

Nesse dia, os Branquinhos foram sublimes, excelsos, inebriantes… reduziram a zero uma equipa milionária e que, uns meses depois, haveria de sagrar-se vice-campeã italiana, a dois pontos de uma inexpugnável Juventus.

O Vitória não deu hipóteses!

Num festival de futebol ofensivo, feito de desmarcações, incursões pela área adversária, os golos de Vítor Paneira, na primeira parte, e de Ricardo Lopes na segunda, fizeram a Europa abrir a boca de espanto! Para além disso, as inúmeras oportunidades desperdiçadas perante um atarantado, quiçá assustado, Buffon, descobriam uma das mais belas noites europeias da história vitoriana!

O gigante rico e arrogante caía aos pés da armada de El Rei Afonso… Inolvidável! Épico!

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