Recordar… o Vitória #93

Por Vasco André Rodrigues, Advogado e fundador do projeto ‘Economia do Golo’

Falemos de um nome que ficou na história do Vitória e cujos golos ficaram na história no período inicial da vida do clube.

Falemos de Alexandre da Costa Rodrigues, que ficaria conhecido nos anais da história, simplesmente pelo seu nome próprio e que estará eternamente ligado à história dos Conquistadores por ter sido o primeiro homem a marcar um golo no Campo da Amorosa, em 1946.

Nascido quase ao mesmo tempo do que o clube, em 1922, desde menino sentiria o inelutável fascínio pelo Vitória, conseguindo fazer o caminho por muitos sonhado: chegar à equipa de reservas e daí ser aposta na equipa principal. Tal ocorreria na temporada 1939/40, pela mão do húngaro Genecy, e, logo na pré-época não deixaria os seus créditos por mãos alheias, ao estrear-se a marcar no seu primeiro jogo a titular, num particular contra o Leça. A estreia oficial, essa, ocorreria no primeiro desafio do Campeonato Distrital desse ano, uma prova que servia de apuramento para o Nacional, e que os Branquinhos venceriam por catorze bolas sem resposta o FC Braga, um dos clubes existentes na cidade vizinha e, ao que parece, com inspiração no homónimo portuense. Além da estreia oficial, o avançado, um jogador fino e com bastante técnica, apontaria o seu primeiro golo, num “jogo a doer” pelo clube do Rei.

Aos poucos começava a afirmar-se e a vencer as desconfianças de quem dizia que era inexperiente por ser demasiado jovem e muito frágil fisicamente. Pelo contrário, era um predador de área que conseguia esquivar-se aos contactos para espalhar o terror nos últimos redutos contrários.

Aliás, seria um dos verdadeiros artífices da equipa que venceria, de modo consecutivo, os campeonatos distritais e os campeonatos do Minho que, nessa altura, se disputavam.

Como resultado desse domínio, o Vitória na época de 1941/42 disputaria, pela primeira vez, na sua história, o principal campeonato nacional. Tal deveu-se ao facto de, depois de ter vencido o campeonato da AF Braga, a equipa vitoriana ter decidido com o triunfador do campeonato da AF Aveiro qual seria o emblema a entrar no máximo campeonato de Portugal. Num jogo jogado no Porto, no Campo da Constituição, os Branquinhos venceriam a União de Lamas por seis bolas a quatro e garantiriam a entrada no principal campeonato do país. Alexandre foi parte integrante da equipa e, ainda, que, nesse dia, não tenha apontado qualquer golo foi um elemento de importância determinante nesse objectivo.

Essa temporada, de 1941/42, onde Alexandre apontou uma dezena de golos, ficaria marcada por outro feito histórico. No Lumiar, os Conquistadores jogariam a sua primeira final da Taça de Portugal, perante os Belenenses, e que foi perdida por dois golos sem resposta.

Entre o ano seguinte e a época de 1946/47 a realidade vitoriana seria sempre idêntica. Na verdade, o Vitória venceria sempre, com maior ou menos dificuldade, o campeonato distrital e, entre os tubarões do futebol português, no Campeonato Nacional dava boa réplica. Aliás, no seu reduto era temido, sendo o Campo do Benlhevai um local que qualquer equipa adversária temia.

Porém, a época de 1945/46 ditaria a morte do mítico recinto. Fruto de uma corrente que defendia que os maus resultados da selecção nacional se deviam à exiguidade de campos como do Vitória, a nossa equipa foi obrigada a procurar uma nova casa. Haveria de surgir a Amorosa, inaugurado a 13 de Janeiro de 1946, com o Vitória a vencer o, sempre rival, Boavista, por três bolas a uma e com o primeiro golo a ser apontado pelo herói destas linhas. Aliás, este momento, haveria de ser imortalizado por uma das mais belas fotografias de toda a nossa história, com o avançado, a ser abraçado pelos vitorianos na bancada, como tantas vezes ocorre quando um dos nossos heróis faz balançar as redes contrárias.

Além disso, Alexandre haveria de ser o melhor marcador da equipa com uma dezena de golos, demonstrando o seu oportunismo e o seu faro de golo, capaz de catapultar todos os sonhos vitorianos.

A temporada seguinte seria a última em que o jogador seria titular no Vitória. Seria o ano em que o clube do Rei mais sofreria para conquistar o Campeonato Distrital, e que, como resultado dessas dificuldades, o avançado, já com menos fulgor, apontaria, apenas, três golos, o último dos quais numa vitória por quatro bolas a três sobre o Atlético, em 08 de Junho de 1947.

Na temporada seguinte, a de 1947/48, seria a primeira vez em que a máxima prova nacional se disputou nos moldes actuais; ou seja, sem necessidade de apuramento através de um campeonato distrital. O Vitória alcançaria o objectivo da manutenção com extrema tranquilidade, classificando-se no sétimo posto. Alexandre, esse, só seria utilizado em três jogos, marcando o seu último golo a 30 de Novembro de 1947, numa derrota por três bolas a duas frente ao Sporting, que nessa altura dominava o futebol português.

O jogador haveria de retirar-se no final dessa temporada, com 26 anos. Porém, até ao final da sua vida, já nesta década, jamais se demitiria do seu amor ao Vitória. Aliás, na década de 50 do século passado chegaria a fazer parte da direcção presidida por João Mota Prego. Depois disso, seria mais um adepto a vibrar com todos os nossos êxitos…um vitoriano comum com um histórico capaz de orgulhar os seus descendentes!

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