REFLEXÕES DO SÓCIO N.º 6722 A UM MÊS DAS ELEIÇÕES

José da Rocha e Costa,
Gestor de empresas

Faz agora um mês desde que Júlio Mendes decidiu deixar a presidência do Vitória Sport Club.

No momento da despedida, o Presidente demissionário leu um comunicado em que explicava que a demissão da sua direcção ficou a dever-se a um clima de permanente insulto, de injúria e de indisfarçável desejo de fracasso do Vitória Sport Club, que vem a ser promovido por uma franja de sócios que não conseguiu aceitar os resultados das eleições de Março de 2018 e que alimenta ataques de natureza pessoal, fomentando insultos inaceitáveis, tudo numa lógica de ascender ao poder.

O comunicado fazia também referência aos feitos alcançados durante os mandatos cumpridos por esta direcção e, como não poderia deixar de ser, à Assembleia Geral Extraordinária do dia 8 de Setembro de 2018 em que os sócios do Vitória decidiram por maioria rejeitar as alterações propostas ao modelo da SAD. Alterações essas que, na sua óptica, seriam fundamentais para que o Vitória pudesse vir a obter melhores resultados desportivos.

Trocando por miúdos: Júlio Mendes fez birra. Mas foi uma birra com “delay”. Em vez de se demitir na altura da Assembleia, já que sem as alterações propostas seria impossível continuar a fazer do Vitória um clube vencedor, demitiu-se no fim da temporada porque ficou farto do “clima de injúria” que se vive no clube.

Na minha opinião, foi Júlio Mendes que não tirou nenhumas ilações das eleições de 2018. Quando um Presidente em exercício com resultados desportivos aceitáveis, faz da sua bandeira de campanha uma mudança de fundo no que toca à estrutura da SAD e ganha por uma margem tão pequena, ainda por cima contra um candidato menos preparado, é porque essas mudanças talvez não sejam assim tão bem aceites pelos sócios. No fundo a “franja” a que Júlio Mendes se refere não é bem uma franja, é mais uma bela trança ao estilo de Rapunzel.

Mas como diria Bertold Brecht: “Quando o povo vota contra o Governo, é preciso mudar o povo”. E na cabeça de Júlio Mendes, o problema do Vitória são no fundo os vitorianos que só “atrapalham” a sua habilidade para a gestão. Foi este desligamento do universo vitoriano e esta frieza calculista que, no fundo, foram cavando o fosso entre esta direcção e os adeptos.

Ouvi há dias um apoiante confesso de Júlio Mendes dizer que o Vitória necessita de uma gestão rigorosa e que a prioridade deve ser dada à “cabeça” ao invés do “coração”.  Eu concordo que os destinos de uma instituição como o Vitória Sport Club não devam ser entregues a um “presidente-adepto” como vimos acontecer noutros clubes e com tão maus resultados que todos conseguimos reconhecer. Mas, ao mesmo tempo, o Vitória não é uma empresa e não é por acaso que outras tentativas que existiram no passado de aproximar o clube a essa realidade, acabaram sempre por ser rejeitadas pela massa associativa.

Cabe agora a ambas as partes seguir o seu caminho: a Júlio Mendes procurar o seu próximo “tacho”, desculpem, queria dizer cargo; e aos Vitorianos escolher o próximo Presidente a quem todos possamos insultar… apoiar, queria dizer apoiar.

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