Ricardo Araújo: “Guimarães quer estreitar relações com Cabo Verde e o mundo lusófono”
O município de Guimarães recebeu, na terça-feira, 21 de abril, o Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Neves, numa visita oficial marcada pelo reforço das relações históricas, empresariais e culturais entre os dois territórios.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
A receção decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Araújo, destacou o papel de Guimarães como cidade fundadora e ponte de ligação entre povos. “Guimarães é um lugar de origem, o berço da nação. Foi aqui que nasceu Portugal, e é por isso que carregamos o orgulho da nossa história, mas também a responsabilidade de a projetar no futuro”, afirmou.
No seu discurso, o autarca sublinhou a relação histórica entre Portugal e Cabo Verde, construída a partir da língua, da cultura e de um percurso comum. “Cabo Verde encontra-se neste abraço de um percurso partilhado, onde nasceu uma identidade própria, marcada pela coragem, pela resiliência e pela capacidade de construir um caminho autónomo”, referiu.
Ricardo Araújo destacou ainda a ligação simbólica entre Guimarães e Ribeira Grande de Santiago, cidades geminadas desde 2007 e ambas classificadas como Património Mundial da UNESCO. “Tal como Guimarães representa o momento fundador da história portuguesa, também a Cidade Velha tem um papel estruturante na história de Cabo Verde. São dois lugares distintos, mas profundamente interligados”, afirmou.
Na intervenção, Ricardo Araújo defendeu também o reforço da cooperação entre os dois territórios em diversas áreas, desde a economia à cultura. “Guimarães quer ser parte ativa deste caminho conjunto, promovendo a cooperação no domínio empresarial, tecnológico, cultural e académico”, afirmou, apontando para a importância da ligação entre instituições, empresas e centros de conhecimento.
O autarca destacou ainda a transformação em curso no concelho, com a aposta na inovação e na diversificação do tecido económico, assente na ligação à Universidade do Minho, ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, e a outros centros de investigação. “Queremos que Guimarães, do berço da nação, se transforme também num berço da inovação”, sublinhou.
A dimensão humana da relação entre os dois países foi também evocada, com referência à comunidade cabo-verdiana residente em Guimarães. “Esta relação vive sobretudo nas pessoas, nas comunidades e no dia a dia. A morabeza cabo-verdiana, marcada pelo calor humano, é também algo que reconhecemos e valorizamos na nossa cidade”, afirmou.
Em declarações aos jornalistas, Ricardo Araújo manifestou a intenção de aprofundar a cooperação no espaço lusófono, apontando Cabo Verde como prioridade. “Queremos retribuir esta distinção, esta visita. Guimarães tem a responsabilidade de contribuir ativamente para a promoção da cooperação internacional, particularmente no espaço da lusofonia”, disse.
A visita ficou também marcada por um momento simbólico de troca de ofertas institucionais. O presidente da Câmara ofereceu a José Maria Neves uma estátua de D. Afonso Henriques e uma publicação sobre a candidatura do centro histórico de Guimarães a Património Mundial. Em troca, recebeu o livro “Quando nasce a República”, dedicado à história da independência cabo-verdiana.
Recorde-se que, Guimarães foi escolhida para receber, em 2027, a próxima Assembleia Geral da UCCLA – União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa, numa decisão tomada em Macau, durante a XLIII Assembleia Geral da organização. A decisão foi acompanhada de outra distinção para o município vimaranense, Ricardo Araújo, foi eleito Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral da UCCLA para o mandato 2026-2028.





