Ricardo Ribas critica o “atletismo dos recibos verdes”

Ricardo Ribas pôs um ponto final numa longa carreira como atleta profissional que teve o seu ponto mais alto com a ida aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Em entrevista ao site “Corredores Anónimos” o atleta fala da falta de estabilidade que impede os atletas de atingir o sucesso.

Foto: Rui Dias

O atleta, agora também treinador, fala dos tempos em que começou, reconhecendo que apanhou “a escola e a mentalidade do atletismo que servia para fugir do interior e ir para os grandes centros, com 3,4 clubes a apostar em centros de estágios, onde havia 4,5 treinadores em Portugal, onde se pagava muito bem a nível monetário para, quando se abandonasse a modalidade, estarmos minimamente orientados. A par disso, tentava-se arranjar uma profissão: bancário, GNR, polícia, professor… O objetivo era organizar o futuro do atleta”.

Infelizmente, o retrato que Ricardo Ribas faz hoje da modalidade é diferente. “Depois veio a escola do Atletismo dos recibos verdes, o Atletismo que eu chamo Chapa ganha, Chapa gasta. Ou seja: ou és dos melhores do Mundo ou então não consegues ter a estabilidade emocional que um atleta tanto precisa para conseguir o sucesso. Pode haver pistas, pode haver condições, pode haver o que quiser, mas, se um atleta não tiver estabilidade emocional, por muito bom que seja, será complicado atingir o desempenho ideal. E sei do que falo”, afirma El Comandante, como é conhecido.

No momento em que se retira, Ricardo Ribas afirma que alcançou os seus sonhos, “consegui tudo aquilo que me propus, sempre com os pés bem assentes na terra. Objetivo a objetivo, fui a caminhar degrau a degrau até ao topo do Olimpo”. Acrescenta que olha “para trás sem mágoa e sem frustração alguma, fiz tudo o que estava ao meu alcance”.

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