“Servir Sem Olhar” é “um trabalho inacabado” de solidariedade em tempos de pandemia

Computadores, máscaras, bens alimentares ou artigos para bebés são alguns dos produtos que o projeto tem feito chegar a pessoas com maiores vulnerabilidades.

"Servir Sem Olhar"

“Servir Sem Olhar” é o mote da iniciativa solidária levada a cabo pelo vimaranense Jorge Santos, que se tornou um intermediário entre pessoas que procuram ajuda e cidadãos e entidades que querem ajudar. Ao Mais Guimarães, explicou como surgiu o projeto e que iniciativas tem levado a cabo.

Posted by Mais Guimarães on Wednesday, 13 May 2020

“Servir Sem Olhar” é o mote da iniciativa solidária levada a cabo pelo vimaranense Jorge Santos, que se tornou um intermediário entre pessoas que procuram ajuda e cidadãos e entidades que querem ajudar. Computadores, máscaras, bens alimentares ou artigos para bebés são alguns dos produtos que Jorge tem feito chegar a pessoas com maiores vulnerabilidades.

Natural de Urgezes e tendo sido candidato à Junta de Freguesia quis “retirar o lado político” da iniciativa criando a página “Servir Sem Olhar” nas redes sociais, onde divulga as ações solidárias que vai desenvolvendo. A página começou por servir para ajudar a população da freguesia, mas acabou por ultrapassar as suas fronteiras e até de Cabo Verde já chegaram pedidos. “A pandemia obrigou-me a estar muito mais no terreno, o que origina um desgaste enorme. Perante a situação fui muito mais solicitado.” Mas Jorge não está sozinho: “A Ana Batista, de Urgezes, e a Clara Matos, de Azurém, têm sido duas peças fundamentais para este projeto”, conta.

Entre os diversos pedidos, “existem pessoas que nunca precisaram de pedir e nestes momentos estão a pedir porque nos últimos meses perderam rendimentos”, explica. “São pessoas novas, que nunca na vida tinham pedido ajuda”, aponta. Jorge já entregou computadores, impressoras e tablets a diversas famílias. “No último fim de semana entregámos um kit de criança, que inclui berço, baby coc, alcofa, bens alimentares e roupas até um ano”, exemplifica. Também ajudaram uma “jovem mãe”. “Demos-lhe um microondas, que não tinha, porque o seu avariou e ia aquecer a comida à vizinha de cima. São situações muito complicadas”, declara. “Ainda no outro dia alguém me mandou uma mensagem se lhe poderia ajudar pelo facto de a varinha ter avariado não conseguia dar a sopa ao bebé. O marido só recebia no dia oito. Era o dia quatro ou três. E conseguimos ajudar”, recorda.

O “Servir Sem olhar” também já serviu para a entrega de mais de mil máscaras sociais e 200 viseiras. “Entregámos a doentes oncológicos, diabéticos, pessoas que estão na linha da frente, como comerciantes e cabeleireiros”, revela. Também já ajudaram pessoas infetadas com o novo coronavírus. “Comprávamos alimentos e deixávamos à porta. As pessoas queriam pagar e nós dizíamos que pagariam quando tudo passar”, frisa.

Quando o vimaranense repara que as pessoas necessitam de outro tipo de ajuda, encaminha os casos para o departamento de Ação Social da autarquia. “Eu sou uma boia de salvação para quem estava perdido, mas depois mando chamar o barco para quem se estava a afogar”, frisa.

Para Jorge, o “Servir sem olhar é “um gesto, forma de estar na vida” e é um trabalho “inacabado”. “Quando entregamos produtos ficamos de coração cheio. Digo apenas às pessoas para que, um dia, se puderem, que façam o mesmo por outras pessoas”, frisa.

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