O sol e a peneira

por Ana Amélia Guimarães Professora

1. É mais geada fria que o sol, aquilo que a peneira quer tapar. O gelo do desemprego e da crise económica que nos atinge sem clemência.

No nosso concelho, até maio de 2021, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de encerramentos de empresas quase duplicou (-93,9%), passando das 82 registadas em 2020 para 159 neste ano de 2021.

Este problema sempre latente no concelho, foi, como sabemos, agravado com o despoletar da pandemia.

Neste contexto, a autarquia, governada há décadas pelo mesmo partido, faz anúncios de medidas de apoio “a isto e àquilo” como se estivesse em campanha eleitoral.

Enquanto isso, a insolvência da empresa António de Almeida & Filhos – Têxteis, SA, uma empresa sediada em Moreira de Cónegos (pertence ao Grupo MoreTextile, ao qual também pertenceu a centenária empresa Coelima), coloca mais de 190 trabalhadores em risco de serem atirados para o desemprego e numa situação de grande incerteza quanto ao seu futuro. Quanto a isto a autarquia remete-se ao silêncio. A oposição de direita também.

Entretanto anuncia-se com inusitado contentamento que «no mês de maio foram criadas 46 novas empresas contra 11 dissolvidas, resultando daí um saldo positivo de 35 novas empresas»…

Não nos dizem que empresas são essas, quantos postos de trabalham criam, em que áreas económicas se concentram essas novas empresas. É a peneira da demagogia para ocultar a necessidade de ir mais além, começando pelas pessoas.

2. Ouvimos a toda a hora o senhor presidente da câmara e seus vereadores perorar sobre o desígnio de «Guimarães-capital verde». Se dermos uma deixa ou fizermos um reparo sobre esse desígnio, cai-nos logo em cima um verbalismo exaltado cheio de exemplos no terreno e desejos no papel… não há ninguém mais verde.

Ora, como sabemos, foi acordado na Assembleia Municipal, da esquerda à direita, a vontade de todos trabalharem para um projeto comum e que serve a todos, sem deixar ninguém de fora. Digo isto para que não haja dúvidas sobre o compromisso da CDU pelo ambiente (que vem de há muito, quando não era politicamente rentável).

Sendo então o senhor presidente da câmara mais verde que o Yoda, não se pode deixar de questionar os sinais contraditórios que dá na sua gestão política. O PS aprovou, contra toda a oposição, a alteração de um terreno classificado de reserva agrícola para construção de uma unidade de empresa de calçado, em Urgezes, que compromete o desenvolvimento da centralidade da Freguesia e hipoteca o seu futuro. Muita conversa, muito discurso e cortar de fitas, mas depois vai-se a ver e o rei vai nu. Assim não vamos lá.

©2022 MAIS GUIMARÃES - Super8

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