Sons da distância: o ruído da pandemia

Durante o período de confinamento, na sequência da pandemia COVID-19, experimentamos sensações novas a diversos níveis. A paragem da grande maioria da atividades quotidianas expôs-nos a uma atmosfera sonora diferente. Mais silenciosa do que o habitual, distante dos ruídos da rotina de trânsito e movimento das cidades, esta nova paisagem acústica trouxe para o primeiro plano do ouvido sons a que habitualmente somos menos sensíveis. Alguns destes sons eram-nos completamente desconhecidos, outros não os escutávamos havia anos. Ao longo de várias semanas, o mundo à nossa volta reverberou uma espécie de ecos da distância.

Numa iniciativa livre, o projeto AUDIRE , do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, convidou outros ouvidos a escutar os efeitos acústicos da quarentena de contenção da COVID-19. Os registos evidenciam um certo consenso sonoro em torno dos sons das paisagens naturais, do eco das cidades vazias e da percussão dos ambientes domésticos.

O projeto AUDIRE combina investigação fundamental, investigação aplicada e intervenção social. O AUDIRE visa contribuir para o desenvolvimento dos estudos de som e simultaneamente propor a criação de modos inovadores de preservar a memória sonora. Na interseção destes propósitos, o plano de trabalho de AUDIRE está organizado em cinco objetivos principais: desenvolver uma teoria do som como suporte essencial à expressão humana e como fonte de conhecimento; compreender como as pessoas reconhecem e valorizam ambientes acústicos; construir um repositório de conteúdos sonoros em acesso aberto; criar um museu virtual do som que possa contribuir para estimular a criatividade de artistas emergentes e ao mesmo tempo preservar uma espécie de herança sonora; e promover uma literacia do som baseada na apresentação de propostas de atividades pedagógicas.

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