“Todos defendem o que nós já estamos a implementar no Vitória”

"Um Vitória de todos” é o lema da recandidatura de Miguel Pinto Lisboa à presidência do Vitória. O candidato diz haver ainda caminho a percorrer num processo que não está concluído.

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“Um Vitória de todos” é o lema da recandidatura de Miguel Pinto Lisboa à presidência do Vitória. O candidato diz haver ainda caminho a percorrer num processo que não está concluído. Com uma equipa parcialmente renovada, e “leal”, MPL garante que os resultados desportivos “consistentes” surgirão, depois das mudanças que introduziu no seu primeiro mandato.

© Cláudia Crespo / Mais Guimarães

“Um Vitória de Todos”, porquê a escolha desta frase para definir a recandidatura ao Vitória Sport Clube?

Apresentamos o nosso projeto em 2019 sob o lema “Todos Vitória”. E como sempre disse, o nosso projeto não se esgota em dois anos e meio. Estamos, neste momento, a apresentar a segunda fase do mesmo, e este lema surge como sequência do primeiro, daí “Vitória de Todos”. Nós propusemos, inicialmente, entre outros pontos, o Vitória passar a ter os 51% na sua sociedade anónima desportiva. Muitos diziam ser impossível e concretizamos. O que nós queremos é, na vertente desportiva e institucional, tornar um Vitória mais plural em que todos tenhamos essa ideia de pertença.

Em jeito de balanço deste tempo que passou na presidência do Vitória SC, quais foram as medidas que destaca? O que é que de mais relevante incutiu no Vitória?

Quando apresentamos o nosso programa tínhamos, do ponto de vista desportivo, um objetivo para a Equipa A que não foi atingido. Assumimos isso com espírito de autocrítica, cometemos alguns erros e não atingimos aquilo que ambicionávamos. Contudo, entendemos que o projeto passa por uma aposta clara na formação. Isso implicou estruturas técnicas profissionais nas diferentes áreas, tais como técnica, alto rendimento, médica, análise e observação, bem como uma aposta nas infraestruturas, nomeadamente o início da construção do mini- estádio, cuja primeira fase está concluída e a segunda fase também está em fase de conclusão.O processo implicou ainda novos relvados sintéticos no campo um e no campo seis, com redimensionamento deste último. Foram também feitos alguns investimentos no campo dois. A aposta na formação torna-nos hoje mais capazes para enfrentar o futuro porque o que nós procuramos sempre é o sucesso consistente do Vitória e não apenas o sucesso eventual. 

Teve Carlos Freitas como diretor desportivo, entretanto as coisas mudaram. A estrutura está agora mais alinhada com aquilo que são os seus objetivos para o Vitória?

A estrutura esteve sempre alinhada com aquilo que são os objetivos para o Vitória porque fui sempre eu que defini esses objetivos e delineei o programa. O modelo assentou sempre na formação e prospeção no ADN Vitória. Num primeiro momento, a prospeção teve mais peso porque havia lacunas a suprir nos diferentes plantéis. Os planteis têm de ter competitividade interna para se desenvolverem. Como disse, podem ter sido cometidos alguns excessos, mas que já foram e estão a ser corrigidos. 

Está a dizer que Carlos Freitas teve um papel preponderante naquela altura e, portanto, agora a realidade é outra?

Carlos Freitas teve um papel preponderante tal como tem hoje o Jaime Teixeira e como terá sempre alguém que esteja ligado ao futebol, a trabalhar diretamente com o presidente. A questão é que se critica muito alguns aspetos do Carlos Freitas e nós reconhecemos essa responsabilidade, que é minha. No entanto, há aspetos positivos que não foram valorizados. 

Há atletas que hoje já estão a chegar à primeira equipa, foram contratados lá atrás, e já fizeram um percurso de formação no Vitória. Há casos que não são tão visíveis porque esta aposta na formação requer tempo. 

O Vitória pode começar a pensar em ocupar o quarto lugar a nível nacional dentro do campo, já que nas bancadas é natural se destacar pela massa associativa que tem?

O nosso objetivo passa por aí porque o nosso lugar natural será um lugar europeu de forma consistente e, de preferência, um lugar nos quatro primeiros.  Isso está refletido no plano estratégico que apresentamos, e que reflete essa ambição europeia. É um objetivo que tem que estar inerente a quem trabalha no Vitória. É isso que os nossos associados nos exigem e é isso que nós também exigimos como vitorianos.

Nestas eleições, o que a oposição refere é que não será possível conquistar resultados diferentes, mantendo as mesmas pessoas no poder do Vitória. Certamente, terá uma opinião contrária…

Claramente, até porque, aparentemente, para os adversários o que está em causa é só mesmo as pessoas. O projeto deles tem muitas similitudes com o nosso, uma vez que estão de acordo com uma nova academia, com a equipa técnica que temos, com a aposta na formação, com o Vitória ser maioritário na sua SAD, com termos um parceiro minoritário. Aparentemente, eles entendem que são mais capazes. Eu não conheço a experiência deles, não sei em que serão mais capazes e não reconheço isso.

Na sua perspetiva, o facto de já ter uma equipa com experiência na liderança do Vitória pode ser preponderante para o sucesso nos próximos anos?

É decisivo para o Vitória ter estabilidade. Não podemos estar sempre a mudar. Da mesma maneira que não podemos estar sempre a alterar as técnicas, ainda menos devemos mudar as diretivas. 

É difícil estar na liderança do Vitória com os sócios tão exigentes e participativos?

É desafiante. O que importa de facto, e que é a nossa força, é termos estes sócios porque isso torna-nos mais rigorosos, mais empenhados no nosso trabalho. Temos de corresponder às expectativas deles que são também as nossas. Antes de sermos dirigentes, somos associados. As ambições e tristezas dos associados são as mesmas que as nossas, sendo que ainda nos sentimos mais responsabilizados e, portanto, a nossa tristeza é exponencial.

Sente que tem defendido bem a posição dos associados neste primeiro mandato?

Não tenho qualquer dúvida que tenho defendido bem as posições tanto dos associados, como do Vitória. Fala-se muito, por exemplo, do caso Marega e eu não vejo onde é que o Vitória não tenha estado bem nesse processo. Defendemos, num primeiro momento, a posição que nos interessava defender, depois defendemos os temas de forma formal e jurídica, sendo que tivemos uma vitória no processo. Não podemos cantar vitória num processo, nem numa vitória intermédia, porque há recursos da Federação. Há que notar, quando foi o caso Marega, que muitos acham que o Vitória pode não ter estado bem, eu lembro que só eu é que falei. Não vi nenhuma força viva da cidade a falar.

Em termos institucionais, o Vitória tem hoje mais voz, somos hoje membros da direção executiva da Liga. O Vitória é um dos seis clubes que está na administração da Liga Centralização (na renegociação dos direitos televisivos com a sua centralização). Se isso não é ter voz e mais poder do que o que tínhamos, não sei o que será.

Financeiramente como é que está o clube?

Financeiramente, o Vitória está numa situação que é melhor do que aquilo que muitos dizem. A teoria do caos não funciona connosco.

Nós seguimos um plano estratégico que passou por valorizar os ativos do Vitória também no futebol. Tivemos uma pandemia e isso obrigou-nos a recorrer a um empréstimo obrigacionista, num momento difícil, para fazer face às responsabilidades do Vitória. Como presidente e como líder da direção, tenho de ter uma liderança firme e convicta, de forma a encontrar soluções perante as dificuldades. Nunca negociamos de cócoras e nunca abdicamos do valor dos nossos ativos. É certo que passivo aumentou, mas grande parte dele não é exigível, está titulado por receitas que o Vitória tem.

“Tenho uma equipa leal, capaz e com condições de gerir os destinos do Vitória e elevar o Vitória para um patamar superior”

Miguel Pinto Lisboa

É um processo que se manterá nos próximos tempos?

Entendemos que o Vitória é autossustentável e que organicamente temos condições para no final deste triénio termos capitais próprios positivos. É esse o nosso compromisso e é isso que faremos. 

Relativamente ao financiamento, o Vitória está em boas condições de se financiar se isso for necessário?

O Vitória não precisa de almofadas, de fundos que não sabemos o seu nome, nem de parceiros que ainda não foram abordados. O Vitória tem condições, com os parceiros atuais, para se necessário ter acesso a créditos em condições vantajosas. 

Mário ferreira é um parceiro desde a criação da SAD. Há o pagamento de algumas tranches das ações que ele detém que ainda estão atrasadas. Há um plano para efetuar este pagamento?

Nós efetuamos um contrato com a MAF para a compra da sua participação no Vitória Sport Clube SAD e efetivamos o pagamento da primeira tranche. A realidade é que a pandemia veio alterar os planos a todos. Todos os negócios em Guimarães foram afetados e o negócio futebol não foi exceção. Em termos globais, a indústria do futebol perdeu 7 mil milhões de euros. O mercado das transferências caiu de forma brutal e está agora a retomar. Aliás, está a 75% dos montantes pré-pandemia. Perante este cenário, obviamente que negociamos com a MAF, que foi sempre de uma abertura total porque entende as dificuldades que subsistiram e também há uma relação de credibilidade perante esta direção. 

O pagamento poderá ser feito até ao final da época?

Há uma coisa que é certa, nós queremos e vamos pagar nos prazos que tivermos acordado com a MAF. Poderá ser dentro dessa janela que traçou.

A pandemia veio também complicar a situação financeira dos associados e haverá, certamente, quotas em atraso. O Vitória até apresentou um plano para a regularização das quotas. Como está esse processo? 

O Vitória traçou um plano numa lógica de equidade. Temos que entender que, apesar das dificuldades, houve uma percentagem significativa de associados que que manteve as quotas em dia. Temos de ter planos de recuperação para quem teve mais dificuldades, mas sem ferir quem sempre cumpriu connosco. 

Relativamente às equipas de formação tem defendido a manutenção das equipas que estão atualmente em competição, apesar da lista A defender a eventual eliminação dos sub-23?

Continuo a defender que esta é a melhor solução. Está comprovado que o facto de termos uma equipa sub-23 tornam mais efetivo o aproveitamento de toda a formação. Também é certo que estamos num ambiente competitivo e se os nossos rivais têm equipas sub-23, então nós também temos que ter, sob pena de perdermos os melhores atletas para outros clubes. 

No que aos outros escalões de formação diz respeito, alguma alteração ou incentivo que queira colocar?

Estamos sempre a melhorar os aspetos relacionados com a formação, mas muito foi feito num espaço curto. Ao melhorarmos todas as equipas técnicas e todos os departamentos de apoio transversal temos apresentado melhores resultados. As equipas dos s sub-15 para cima apuraram-se todas para a fase seguinte, temos 28 jogadores nos diferentes escalões das seleções e 15 jogadores que já atingiram a equipa A.

Flávio Meireles foi suspenso pela direção quando Alex Costa o mencionou como possível diretor desportivo da sua lista. Qual o propósito dessa suspensão e o que lhe acontecerá depois de 5 de março?

Por mais que tentem imputar a responsabilidade à direção, não é verdade. Isso é da responsabilidade de quem tentou trazer Flávio Meireles para a campanha sem sequer ter falado com ele. O que nós entendemos é que, para proteção do Flávio, da sua imagem e do Vitória, é que seria melhor que, durante este período curto, estivesse ausente do trabalho diário e relação diária com as equipas. Ele tem a confiança desta direção e não nos pareceu bem ser usado sem autorização por outra lista candidata. No dia 7 de março, o Flávio estará de regresso.

Relativamente às infraestruturas, ganha destaque a nova Academia do Vitória. Quando será lançada a primeira pedra do projeto?

As reuniões com a Câmara Municipal já começaram lá atrás e o organigrama funcional já foi entregue. O processo está mais adiantado do que aquilo que alguns imaginam. Neste momento, a Câmara estará a tomar posse da totalidade da área de implantação, de forma a avançarmos com a apresentação e aprovação do projeto. Este é um compromisso que nós assumimos de iniciar a construção no triénio, sendo certo que, quando dizemos que queremos um parceiro estratégico, é para catalisar o nosso plano estratégico. Temos um plano que prevê a autossustentabilidade do Vitória de forma orgânica e o facto de querermos um parceiro é para alavancar e agilizar no tempo estas situações, nomeadamente a construção da nova academia e o reforço do plantel.

Quanto às modalidades, propõe alterações ao seu funcionamento?

Nós tivemos a capacidade de trazer de volta algumas modalidades ao Vitória, sempre com o princípio básico de sermos também formadores nessas modalidades. Neste momento temos 15 e mais de mil atletas, e o nosso objetivo é incrementar o número de jovens de Guimarães na nossa formação. O Vitória é um clube eclético e as modalidades são um elo de ligação à nossa sociedade muito importante para nós, e que queremos potenciar no futuro. 

© Joana Meneses / Mais Guimarães

Que balanço faz da companha e do contacto com os vitorianos pelo concelho?

Faço um balanço muito positivo. Até porque, o que se verifica, é que havia muita intoxicação, muitas narrativas que eram criadas sempre contra esta direção. Muitas das coisas que foram feitas, nomeadamente os investimentos em infraestruturas, não eram do conhecimento dos nossos associados. Eram passadas mensagens falsas ou negativas, e tem sido possível fazer-se um esclarecimento do que é a realidade, e isso tem sido agradável para nós enquanto direção, constatar que as pessoas aderem e estão convictas que somos a solução para o Vitória.

Tem a equipa que gostava de ter?

Tenho uma equipa leal, capaz e com condições de gerir os destinos do Vitória e elevar o Vitória para um patamar superior, que é o que todos nós ansiamos. E, portanto, tenho a equipa que gostava de ter, ou que quero ter.

Porque devem os vitorianos votar na lista C no próximo sábado?

Os vitorianos devem votar lista C porque, na realidade, nós temos um projeto para o Vitória, que passa pela sua independência, pela sua identidade, pelo desenvolvimento das infraestruturas, por um processo de formação, por uma nova academia e por um projeto que visa ter o sucesso desportivo sustentável. Não procuramos o sucesso desportivo eventual.

Todos apresentam soluções, mas, no final, todos defendem o que nós já estamos a implementar no Vitória. Nós temos a capacidade e essa experiência. Nos maus momentos estivemos sempre presentes. Tivemos uma liderança firme e convicta, e nunca nos assustamos. Não somos líderes condicionais. Nós encontramos as soluções que o Vitória precisa a cada momento, e temos um plano em curso que está a ser cumprido. É verdade que o futebol é emoção e paixão, e que alguns resultados não são os que nós almejávamos. Mas estamos atentos e temos a capacidade profissional, técnica e humana e temos o conhecimento para que o Vitória possa ter sucesso no futuro de forma sustentável. É esse o nosso compromisso com vocês, um Vitória melhor e maior.

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