Torneio de Retórica de Guimarães entra na quinta edição e reforça papel na formação cívica dos jovens
Após quatro edições marcadas por dezenas de debates sobre temas centrais da atualidade e da vida coletiva, o Torneio de Retórica de Guimarães avança para a sua quinta edição, a decorrer entre janeiro e junho de 2026, envolvendo cerca de 1.500 alunos do 11.º ano das quatro escolas secundárias do concelho: Martins Sarmento, vencedora da edição anterior, Francisco de Holanda, Santos Simões e Caldas das Taipas.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
A nova edição foi apresentada esta segunda-feira, 05 de janeiro, na sede da Associação de Socorros Mútuos Artística Vimaranense (ASMAV), na Rua Gil Vicente, entidade promotora do projeto.
O presidente da associação e professor de Filosofia da Escola Secundária Francisco de Holanda, Francisco Teixeira, estima que sejam realizados perto de 50 debates até junho, numa primeira fase dentro de cada escola. Ao Mais Guimarães, o responsável revelou ter encontrado, no regresso às aulas após as férias de Natal, um ambiente particularmente positivo. “O entusiasmo, nestes tempos de trevas que vivemos, é um sinal de esperança”, afirmou, destacando o papel das escolas, dos professores e das associações de estudantes na consolidação do torneio.
Francisco Teixeira considera que o Torneio de Retórica já conquistou um espaço próprio no quotidiano escolar e associativo do concelho. “É a quinta edição, com uma meia edição no ano da pandemia, mas o mais importante é a continuidade. Muitos alunos já entram no 10.º ano a pensar no torneio. Sabem que, nas suas escolas, terão um espaço de afirmação da sua voz e da sua opinião”, explicou. Para o professor, esse espaço distingue-se por conjugar liberdade e regulação. “A liberdade exige regras. Aqui conseguimos criar um espaço onde os jovens afirmam o seu pensamento de forma livre, mas enquadrada, regulada pelas condições do torneio, pelas escolas e pelos professores.”
O grande objetivo mantém-se, garante, o de colocar os alunos a pensar e a discutir ideias de forma fundamentada. “A investigação é mais de metade do sucesso. Dá racionalidade ao discurso e permite construir argumentos sólidos. Num tempo marcado por opiniões infundadas, boatos e meias-verdades, estes jovens aprendem que é possível ter opiniões livres, mas racionais, críticas e sustentadas”, frisou.
Na perspetiva de Francisco Teixeira, o torneio acaba por ter um impacto duradouro, levando muitos participantes a envolverem-se mais tarde no associativismo juvenil, social, cultural ou político. “É um projeto político no sentido amplo, não partidário, que promove a liberdade, a democracia e a racionalidade democrática”, acrescentou, sublinhando ainda a importância do apoio das escolas e do Município de Guimarães para a credibilização pública da iniciativa.
Presente na sessão, a vereadora com os pelouros da Educação e da Cultura, Isabel Ferreira, destacou o Torneio de Retórica como “mais um palco” para o crescimento dos alunos, onde são adquiridas competências essenciais de cidadania e de participação democrática.

© Eliseu Sampaio / Mais Guimarães
“A melhor forma de mostrar indignação é a participação. Essa participação empenhada no debate público, nas associações de estudantes ou entre amigos é extremamente importante”, referiu, acrescentando que a reflexão sobre os temas propostos ajuda os jovens a questionar normas e a desenvolver pensamento crítico. “A verdadeira riqueza está na diversidade de pensamento e na capacidade de construir uma unidade a partir do diálogo”, concluiu.
Alunos não escondem a importância do projeto
Em declarações ao Mais Guimarães, estudantes presentes na conferência de imprensa afirmaram que o torneio “enche o coração” e mobiliza os jovens de forma especial. “É um projeto que nos dá voz, permite formular opiniões e, acima de tudo, ser ouvido. Isso é fundamental para o nosso crescimento enquanto cidadãos”, referiram, sublinhando que competências como a oratória, a argumentação e o pensamento crítico são decisivas para o futuro. “Acima de qualquer aula ou disciplina, isto prepara-nos para o que nos espera.”
Segundo os alunos, o entusiasmo renova-se ano após ano, apesar da ansiedade inicial que muitos sentem antes dos primeiros debates. O interesse é tal que colegas que ainda não participaram procuram dicas e querem saber como funcionam as sessões. Os temas debatidos acabam muitas vezes por transitar para o contexto familiar ou para as conversas entre amigos, agora com maior profundidade e investigação.
“É um orgulho podermos discutir estes assuntos com adultos e mostrar que somos capazes de ter conversas sérias e fundamentadas”, afirmaram, defendendo um maior envolvimento dos jovens na discussão dos problemas da sociedade. “Os jovens são o futuro e queremos ser diferentes. Este tipo de iniciativas lembra que temos voz e que somos capazes de coisas grandiosas.”
A edição de 2025 premiou o mérito e o empenho dos participantes, com os alunos vencedores de todas as escolas, que disputaram a final, a conquistarem uma viagem a Bruxelas, onde visitarão a sede do Parlamento Europeu, encerrando um percurso que alia educação, cidadania e participação na vida democrática.





