Trabalhadores contestam fecho da Celeste anunciado pela administração

O Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura e das Indústrias de Alimentação, Bebidas e Tabacos de Portugal (SINTAB) enviou um comunicado às redações onde denuncia e repudia a intenção da administração da Celeste de encerrar definitivamente a empresa, decisão anunciada em reunião com os trabalhadores, pode ler-se.

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No documento, o sindicato afirma que “para o SINTAB e para os trabalhadores, esta posição é inaceitável e politicamente reveladora de uma opção que nada tem de inevitável”, defendendo que a empresa reúne todas as condições para continuar em funcionamento.

Segundo o comunicado, a Celeste “é uma empresa com mais de 50 anos de história, com trabalhadores altamente qualificados, com saber-fazer acumulado, com infraestruturas industriais plenamente operacionais, com rede comercial e, sobretudo, com clientes e encomendas”. O sindicato sublinha ainda que “o mercado continua a exigir fornecimento” e que “o problema não está no trabalho, nem nos trabalhadores”.

O SINTAB questiona a gestão da empresa nos últimos anos, considerando “legítimo e necessário questionar onde foram aplicados e de que forma foram geridos os resultados amplamente propagandeados em anos anteriores”, interrogando ainda “quem é que deles beneficiou” e porque se pretende agora “fazer recair sobre os trabalhadores o custo de decisões que não tomaram”.

No comunicado enviado às redações, o sindicato é claro ao afirmar que “a crise da empresa não resulta de falta de clientes, de encomendas ou de capacidade produtiva”, mas sim de “opções de gestão que têm de ser escrutinadas e assumidas por quem as tomou”.

Como solução, o SINTAB defende “a viabilização da Celeste Actual, a defesa da produção nacional e a manutenção dos postos de trabalho”, admitindo que, caso a atual administração não tenha capacidade ou vontade para o fazer, devem ser consideradas “todas as alternativas, incluindo a aquisição por outro operador do setor que assegure a continuidade da atividade e o respeito pelos trabalhadores”.

O sindicato denuncia ainda uma situação que classifica como grave, recordando que, em 2019, “quase todos os trabalhadores foram transferidos para uma empresa criada para o efeito, a Conceitos Avulso”, uma entidade sem património próprio que opera exclusivamente para a Celeste Actual, utilizando as suas instalações e meios produtivos. Para o SINTAB, esta situação está agora a ser usada como “escudo processual”, colocando em causa direitos laborais.

Nesse sentido, o sindicato exige que os trabalhadores sejam considerados, “em todos os efeitos jurídicos e legais, como trabalhadores da Celeste”, recusando que “manobras administrativas sirvam para fragilizar direitos, salários e garantias laborais”.

O comunicado termina com a garantia de que o SINTAB estará “ao lado dos trabalhadores em todas as frentes (sindical, jurídica e política) para defender cada posto de trabalho”, sublinhando que “não há empresas viáveis sem trabalhadores” e que “salvar a Celeste Actual é salvar o trabalho, a produção nacional e o futuro dos trabalhadores e das suas famílias”.

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