Um legado forjado em ferro: Guimarães homenageou o percurso de Gaspar Carreira

O mestre ferreiro Gaspar Carreira foi homenageado na passada sexta-feira, 10 de julho, pela União das Freguesias de Oliveira, São Paio e São Sebastião, numa cerimónia de reconhecimento pelo seu percurso de vida e pelo contributo que deu à preservação e valorização do artesanato tradicional de Guimarães.

© CMG

A distinção decorreu na sede da União das Freguesias, tendo o artesão recebido das mãos do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, uma imagem de Vimara Peres, símbolo de reconhecimento pelo legado que deixa à cidade.

Na ocasião, o autarca destacou a importância da obra desenvolvida por Gaspar Carreira ao longo de várias décadas. “O senhor Gaspar Carreira fará sempre parte da história da nossa cidade. A sua arte, o seu trabalho e o seu legado continuarão a marcar a identidade de Guimarães e por isso merece todo o nosso reconhecimento e gratidão”, afirmou Ricardo Araújo.

Nascido em 1944, Gaspar Carreira foi o último mestre ferreiro da histórica oficina situada no número 12 da Rua de Donães, que encerrou portas em outubro de 2018. Fundada pelo seu avô, Gaspar Pinto Carreira (1887-1965), a oficina tornou-se uma referência na arte de trabalhar o ferro, produzindo ao longo de décadas todo o tipo de peças para arquitetura e serralharia artística, chegando a empregar sete ferreiros.

Entre as obras mais emblemáticas saídas desta oficina destaca-se o portão do claustro da Igreja de Nossa Senhora da Oliveira, executado pelo fundador da oficina, bem como o gradeamento que envolve o Cruzeiro Manuelino, junto à nave lateral da mesma igreja, da autoria de Álvaro Pinto Carreira, pai de Gaspar Carreira e sucessor no negócio familiar.

Até ao encerramento da oficina, Gaspar Carreira dedicou-se sobretudo à manufatura de esculturas em ferro inspiradas em figuras marcantes da História de Guimarães e de Portugal, assim como à produção de pequenos objetos decorativos, adaptando o seu trabalho à diminuição da procura por grades e outros elementos tradicionais de arquitetura.

Ao distinguir o mestre ferreiro, a União das Freguesias pretendeu reconhecer uma vida dedicada ao ofício e à preservação de um saber artesanal que faz parte da identidade vimaranense, perpetuando o nome de uma família que, ao longo de várias gerações, deixou a sua marca no património da cidade.

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