2021: o ano da Esperança!

Por César Teixeira.

2021 é um ano marcado sobre a égide da esperança. Mas será um ano problemático. Um ano em que teremos de promover a reconstrução económica e social. Decorrente de uma tão inesperada situação de pandemia. Que marca a nossa vivência.

Se expôs fragilidades, também expôs a capacidade de superação da humanidade. A importância da ciência e dos cientistas. Por vezes, dedicamos muito do nosso tempo a edificar altares a efémeros astros de ocasião. Mas não valorizamos suficientemente aqueles que conseguem a chave que poderá resolver o problema que atormenta a humanidade.

Foi possível verificar que o homem é um ser social. Todos são fundamentais em cada uma das atividades que desempenha. O que seria do doente sem o médico, os enfermeiros ou os auxiliares? O que seria dos profissionais de saúde sem os funcionários dos supermercados? O que seria da saúde pública sem os empresários que viraram o aparelho produtivo para a saúde? Ou dos respetivos funcionários que, sob focos de infeção, deram corpo ao manifesto habilitando a generalidade da população com máscaras e outros equipamentos?

A pandemia expôs as nossas limitações biológicas. Evidenciou que a saúde tem de estar no topo das preocupações dos Governos. O debate sobre a saúde tem-se caracterizado por dois tópicos essenciais. De um lado, as reivindicações corporativas. Promovidas por sindicatos e ordens profissionais. Que, hoje, continuam arreigados a interesses que vivem e sobrevivem cultivando o antagonismo. De outro lado, a discussão sobre a natureza pública ou privada da prestação dos cuidados de saúde. Como se fosse mais importante saber quem presta o serviço do que a qualidade da prestação. A saúde tem de estar centrada nas pessoas. Na qualidade do serviço prestado. Uma política de saúde que não esteja corrompida por debates estéreis e meras cedências a grupos de interesse. Sejam profissionais ou empresariais.

Se houve fator que esta pandemia evidenciou foi a interdependência social. Todos somos agentes de saúde pública. Esta feliz expressão evidencia a nossa interdependência enquanto seres sociais. Evidencia que somos seres sociais. Que eu dependo do próximo. Que ter cuidado com o outro é tão fundamental para o equilíbrio social como cuidar dos nossos.

Como refere o Papa Francisco na sua mais recente Encíclica, “Desejo ardentemente que, neste tempo que nos cabe viver, reconhecendo a dignidade de cada pessoa humana, possamos fazer renascer, entre todos e para 2021 um anseio mundial de fraternidade.” A doutrina da Igreja, independentemente de questões de natureza espiritual, compreende em si aqueles que são os princípios e os alicerces estruturais do relacionamento social. Ama ao próximo como a ti mesmo. Em poucas palavras a síntese que harmoniza a relação entre o eu e o outro.

Infelizmente, comportamentos individuais, egoístas e irresponsáveis colocam em causa os outros. Comportamentos de quem pensando apenas em si e no seu bem-estar não cuida do outro. Não podemos expiar as nossas culpas individuais responsabilizando apenas os Governos. Se há culpas e responsabilidades, em ações e omissões, dos responsáveis políticos, deverá também cada um de nós perguntar se fez tudo o que poderia para ter evitado, diminuído ou limitado o alastrar desta mortífera segunda vaga.

Que fique claro: sozinhos não conseguiremos ultrapassar este, ou outro, problema. Foi e será em comunidade que o conseguiremos. Ultrapassada que venha a ser a crise de saúde publica ficarão as feridas económicas e sociais dela decorrentes para cicatrizar. E para isso, mais do que nunca, será precisa a solidariedade.

Que se manifesta num serviço que pode assumir múltiplas variantes e características. Serviço que não pode ser apenas deixado aos titulares de cargos políticos. Cabe-nos a nós, pessoalmente e às nossas famílias enquanto estruturas nucleares na organização da sociedade cuidar e fortalecer os laços sociais. Porque quanto mais fortes forem os laços sociais, mais forte fica o nosso eu. É esta interdependência que sustenta a sociedade e a sociedade sustenta cada um de nós. O individualismo e o coletivismo radicais corrompem a harmonia das relações societárias. Um Santo Natal para todos.

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