Francisco Machado conquista 1.º Prémio em Vigo e quer mais palco para a música clássica

Francisco Ferreira Machado, aluno do 1.º ano da Licenciatura no Departamento de Música e estudante de Viola d’Arco, foi distinguido com o 1.º Prémio no Concurso Internacional de Corda Cidade de Vigo, que decorreu a 7 de dezembro. 

© Francisco Machado

Com apenas 20 anos, Francisco, natural da freguesia de Nespereira, em Guimarães, encara os concursos com a serenidade de quem sabe que, na música clássica, nada é garantido. “Acaba por ser sempre uma surpresa. Nós nunca vamos para lá com certezas de como é que vai acabar. É sempre um trabalho de longo termo”, afirma. Para o jovem músico, a performance clássica assemelha-se à alta competição: exige preparação rigorosa, resistência mental e a capacidade de lidar com o imprevisto. “Podemos estar lá, podemos escorregar, pode não correr tudo bem.”

Em Vigo, correu. E correu bem. Depois de uma fase de pré-seleção por vídeo, Francisco integrou um grupo restrito de cinco candidatos na sua categoria. Na final, o seu desempenho destacou-se perante um júri internacional. “Havia competição muito acirrada, músicos muito bons. É sempre bom perceber que o nosso trabalho ao longo do tempo é recompensado.” O repertório apresentado resultou do trabalho que vinha desenvolvendo durante os anos de formação em Amesterdão, experiência que considera determinante no seu crescimento artístico.

O percurso de Francisco começou relativamente tarde, aos 13 anos, quando ingressou na ARTAVE, em Santo Tirso. Apesar do início tardio, a intensidade da formação permitiu-lhe evoluir rapidamente. Concluído o 12.º ano, seguiu para Amesterdão, onde aprofundou estudos e participou em vários concursos, conquistando também um segundo prémio durante a sua estadia na Holanda.

Regressou a Portugal no final do último ano letivo, trazendo consigo não apenas experiência internacional, mas também uma vontade clara de contribuir para o panorama musical nacional. Atualmente, prepara o lançamento de um projeto intitulado “Nova”, ainda em desenvolvimento, que pretende criar novas plataformas para jovens músicos. O objetivo é simples e ambicioso: evitar que o talento português se veja obrigado a emigrar para encontrar oportunidades.

© Cidnay Festival

“Um dos grandes problemas que vemos na música clássica é que a maior parte dos jovens portugueses têm de sair do país”, explica. A sua proposta passa por estabelecer parcerias com escolas e instituições locais, como a ARTAVE e o Conservatório de Guimarães, promovendo uma série de concertos que aproximem a música clássica não só do público especializado, mas também de novos públicos.

A comparação com a realidade holandesa é inevitável. Em Amesterdão, a música clássica apresenta-se como um mercado consolidado, com múltiplas orquestras, programas para jovens e festivais regulares. Em Portugal, o cenário é mais frágil, mas, paradoxalmente, oferece espaço para criar. “Lá era muito difícil começar algo do zero. Cá, como o mercado é mais pequeno, talvez seja mais fácil criar algo novo, com as parcerias certas.”

Francisco reconhece as dificuldades de viver exclusivamente da música em Portugal. “É mesmo muito complicado. É preciso mudar mentalidades.” O caminho, acredita, faz-se a longo prazo. O desejo é que, dentro de 10 ou 15 anos, os jovens músicos encontrem condições mais favoráveis para desenvolver uma carreira sustentável.

Viver em Guimarães é, para si, motivo de orgulho. Considera a cidade um polo cultural relevante, sublinhando a existência de estruturas e eventos que enriquecem a oferta artística local, como a Orquestra de Guimarães e o Guimarães Jazz. “Guimarães é uma cidade espetacular. Prova que não precisamos ir para os grandes centros urbanos para explorar o que é realmente Portugal.”

Quanto ao significado da vitória em Vigo, Francisco é claro: além da realização pessoal, trata-se de um marco importante para o currículo, elemento fundamental na vida de um músico. “Foi espetacular. Estar a tocar para um júri que não conhecíamos assusta um bocadinho. Mas ganhar foi muito bom.”

Aos 20 anos, sabe que o caminho está apenas a começar, e que a música exige coragem e persistência. Francisco assume o desafio com determinação. Se depender da sua ambição e da vontade de transformar o panorama cultural, esta poderá ser apenas a primeira de muitas conquistas.

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