Guimarães celebra Abril durante três meses com cultura, reflexão e participação comunitária
Guimarães volta a assinalar o 25 de Abril com uma programação cultural alargada que se estende por três meses. O programa "Abril com Cantigas do Maio 2026" reúne 37 iniciativas e pretende celebrar os valores da liberdade, da Constituição e do poder local, através de um conjunto diversificado de propostas entre abril, maio e junho.

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Artes plásticas, cinema, concertos, exposições, conferências e palestras compõem uma programação que tem como principal objetivo promover a reflexão crítica e reforçar a ligação da comunidade aos ideais da Revolução dos Cravos.
Durante a apresentação pública do programa, que decorreu na tarde desta terça-feira na sede da Associação Convívio, a vereadora da Cultura, Isabel Ferreira, destacou o simbolismo da edição deste ano, que assinala os 50 anos da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições autárquicas em democracia.
“Falar de Abril, da liberdade, no ano de 2026, tem uma força renovada. É fundamental que, no contexto atual, cada um de nós reafirme, de forma coletiva, os valores da liberdade, da inclusão, da partilha e da fraternidade”, afirmou.

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A responsável sublinhou ainda que esta é uma programação construída em rede, com forte envolvimento do movimento associativo local, destacando o contributo de entidades como o Centro Infantil e Cultural Popular, o Cineclube de Guimarães, o Círculo de Arte e Recreio, a Associação Convívio, a Sociedade Martins Sarmento e as várias Bandas e Sociedades Musicais do concelho, de Pevidém, Taipas e Moreira de Cónegos. “Trata-se de um programa que nasce da colaboração e que reforça a dimensão comunitária da cultura”, acrescentou.
A celebração dos 50 anos da Constituição de 1976 assume-se como um dos eixos centrais. Entre os destaques está a exposição “As constituições Portuguesas”, patente na Sociedade Martins Sarmento a partir de 21 de abril, que revisita a evolução do constitucionalismo português desde 1822.
No mesmo local realiza-se, a 23 de maio, o debate “A Constituição de 1976 – Um Projeto de Futuro?”, reunindo figuras como Manuel Alegre, José João Abrantes e Rui Vieira de Castro. O presidente da instituição, Antero Ferreira, destacou o caráter pedagógico da mostra, sublinhando que foi concebida para poder ser reutilizada por escolas e outras entidades.

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Também o Centro Infantil Cultural e Popular promove o habitual mural no Largo do Toural, envolvendo este ano 16 artistas. Para Torcato Ribeiro, esta iniciativa pretende afirmar Abril como “um espaço de liberdade e pluralidade”, e colocar as celebrações na rua, onde diferentes perspetivas podem coexistir. No Largo do Toural, haverá iniciativas como sessões de poesia e música no espaço público. Ainda um palco com microfone em que os cidadãos sserão chamados a usarem da liberdade para “dizerem o que pensam”, afirmou Torcato Ribeiro.
Um dos momentos mais emblemáticos será o concerto “Sons da Liberdade”, agendado para a noite de 24 de abril (21h30) no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, celebrando o 25 de Abril com a Banda Musical de Pevidém, o Coro da Liberdade e direção artística de Vasco Silva de Faria. Inclui música, projeção de imagens e homenagens à resistência antifascista.
Vasco Silva de Faria, presente também na Conferência de Imprensa, destacou que “Este projeto nasce do dever de celebrar não só a identidade das associações locais, mas também o valor universal da liberdade.” O responsável destacou ainda a evolução do projeto, que passou a integrar um coro comunitário, aberto à participação de qualquer cidadão.
A programação musical inclui ainda concertos de bandas filarmónicas e projetos que cruzam diferentes géneros, desde a canção de intervenção ao jazz, reforçando o papel da música como veículo de memória e intervenção.

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O cinema volta a marcar presença com o ciclo “Os Dez de Hollywood”, promovido pelo Cineclube de Guimarães, que evoca os profissionais perseguidos nos Estados Unidos, na década de 50. O presidente, Carlos Mesquita, lembrou o papel histórico da associação na resistência cultural durante o Estado Novo, sublinhando que “não era uma ditadura suave como agora se quer fazer crer. O Cineclube foi abundantemente referido nos relatórios da PIDE por promover ideias desafetas ao regime”. Para o responsável, recordar esse passado é essencial para compreender o valor da liberdade.
Entre outras iniciativas, destaque ainda para a Sessão Solene da Assembleia Municipal, no Teatro Jordão, a 25 de abril; no Coreto do jardim da Alameda, canta-se “Abril”, com Dino Freitas e amigos, o lançamento de uma fanzine pelo Círculo de Arte e Recreio, a 30 de abril; o concerto evocativo pela Banda Filarmónica de Moreira de Cónegos, a 3 de maio; e diversas atividades descentralizadas pelo concelho.
Centenário de Eduardo Ribeiro assinalado
A edição de 2026 integra ainda a evocação do centenário de Eduardo Ribeiro, figura marcante da resistência ao regime. As iniciativas culminam a 18 de junho com a exibição do filme “Daqui houve Resistência”, acompanhado por música ao vivo, estando previstas outras ações ao longo do ano para lembrar o resistente antifascista vimaranense.





