Lista de Viriato Sampaio exige respostas e coloca validade das eleições do Vitória em causa
A Lista C, liderada por Viriato Sampaio, endureceu este domingo a contestação aos resultados das eleições do Vitória SC e admite avançar para a anulação do ato eleitoral caso se confirmem irregularidades relacionadas com o voto por correspondência.

© Mais Guimarães
Em conferência de imprensa realizada ao final da tarde, a candidatura que ficou a apenas dois votos da vitória voltou a questionar a transparência do processo eleitoral e acusou a Mesa da Assembleia Geral de rejeitar, sem fundamentação, o pedido de recontagem apresentado após o encerramento da votação.
Recorde-se que Rui Rodrigues, candidato da Lista D, foi declarado vencedor das eleições com 2.028 votos, contra os 2.026 obtidos por Viriato Sampaio, numa das disputas eleitorais mais equilibradas da história do clube.
Perante este cenário, a Lista C considera que existem questões por esclarecer relativamente ao voto por correspondência, defendendo que o reduzido diferencial entre as duas candidaturas justifica uma análise exaustiva de todos os procedimentos adotados durante o processo eleitoral.
Pedido de recontagem recusado
No comunicado lido durante a conferência de imprensa, a candidatura começou por agradecer a participação dos associados e a confiança dos 2.026 sócios que votaram na Lista C. Contudo, a direção da candidatura revelou que solicitou formalmente a recontagem dos votos junto da Mesa da Assembleia Geral, pedido que acabou por não ser aceite.
“Face aos resultados apurados, a Lista C solicitou à Mesa da Assembleia Geral a recontagem dos votos, atendendo à diferença de apenas dois votos para a Lista D e ao facto de os Estatutos do Vitória não preverem a obrigatoriedade de uma segunda volta entre as duas listas mais votadas”, refere o comunicado.
Segundo a candidatura, a Mesa da Assembleia Geral decidiu não admitir esse pedido, sem apresentar qualquer fundamentação para a decisão. “Sem qualquer fundamentação e de forma injustificada, a Mesa da Assembleia Geral decidiu não admitir o nosso pedido de recontagem”, sustenta a Lista C.
Dúvidas sobre o voto por correspondência
O principal foco das preocupações da candidatura prende-se com o voto por correspondência.
De acordo com a informação transmitida pela Mesa da Assembleia Geral, foram contabilizados apenas 33 votos recebidos por esta via. Um número que a Lista C considera surpreendentemente reduzido. “A única informação transmitida foi a de que foram contabilizados apenas 33 votos por correspondência, quando dezenas de sócios manifestaram junto da Direção do Vitória a intenção de exercer o seu direito de voto por essa via”, refere o documento.
Durante a conferência de imprensa, os responsáveis da candidatura afirmaram ainda possuir informação de que terão sido solicitados cerca de 120 votos por correspondência, um número muito superior aos 33 boletins contabilizados no ato eleitoral.
Além disso, garantem ter recebido contactos de associados que afirmam ter solicitado os elementos necessários para votar por correspondência, mas que nunca os receberam. “Temos sócios a informar que pediram e não receberam informação para votar”, afirmaram os representantes da Lista C.
Quatro perguntas que exigem resposta
Perante as dúvidas levantadas, a candidatura de Viriato Sampaio exige que o clube esclareça publicamente vários aspetos relacionados com o processo eleitoral.
Entre as questões colocadas estão: Quantos sócios solicitaram o exercício do voto por correspondência; Quantos boletins de voto foram enviados pelo clube; Quantos boletins foram recebidos até ao início do ato eleitoral; Qual a hora do último levantamento de correspondência nos CTT; Quantos boletins foram expedidos pelos associados até 11 de junho e poderão ainda chegar ao clube.
A candidatura considera que estes esclarecimentos são indispensáveis para garantir a confiança dos sócios no processo eleitoral. “Todos os sócios podem ficar certos de que exigiremos o máximo rigor e transparência relativamente a este ato eleitoral”, afirmou.
Possível nulidade do ato eleitoral
A posição mais forte assumida pela Lista C surge na parte final do comunicado, onde é admitida a possibilidade de pedir a nulidade das eleições.
Segundo a candidatura, caso se demonstre que existiram sócios que solicitaram votar por correspondência e não receberam os respetivos boletins, ou que existam votos expedidos dentro dos prazos legais mas que não tenham sido considerados, poderá estar em causa a validade do ato eleitoral.
A candidatura sustenta que bastará a existência de dois votos potencialmente afetados para justificar uma reapreciação do processo, uma vez que a diferença final entre o vencedor e o segundo classificado foi precisamente de dois votos. “Restará ao Conselho de Jurisdição declarar a nulidade do ato eleitoral e, em consequência, determinar a sua repetição”, defende a Lista C.
A candidatura argumenta ainda que, mesmo que não seja possível concluir que esses votos alterariam diretamente a lista vencedora, a simples possibilidade de influenciarem o resultado final constitui matéria suficiente para analisar a validade jurídica da eleição.
Vitória vive clima de expectativa
A tomada de posição da Lista C abre um novo capítulo num processo eleitoral que parecia encerrado na noite de sábado. Enquanto Rui Rodrigues já assumiu publicamente a vitória e apelou à união dos vitorianos, Viriato Sampaio mantém a contestação ao processo, colocando o foco na transparência dos procedimentos adotados no voto por correspondência.
O Conselho de Jurisdição poderá agora vir a assumir um papel determinante na apreciação das questões levantadas pela candidatura derrotada, num momento que mantém o universo vitoriano em expectativa relativamente aos próximos desenvolvimentos.
Para já, o resultado oficial mantém Rui Rodrigues como presidente eleito do Vitória SC, mas a polémica em torno do voto por correspondência promete continuar a marcar a atualidade do clube nos próximos dias.





