Miguel Pinto Luz: “São Mamede é a primeira afirmação do que é o ser português”

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, afirmou esta quarta-feira, 24 de junho, em Guimarães, que a Batalha de São Mamede representa muito mais do que um episódio militar da História de Portugal, constituindo antes “a primeira afirmação do que é o ser português”.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Intervindo na Sessão Solene Comemorativa do 24 de Junho de 1128, realizada no Grande Auditório Francisca Abreu, no Centro Cultural Vila Flor, em representação do Governo, o governante destacou o significado histórico da batalha travada há quase nove séculos e apelou a que o seu legado continue a inspirar as futuras gerações. “Evocamos hoje a Batalha de São Mamede. Evocamos a nossa História e o nosso ser. O nosso mais profundo ser. A nossa fundação e a nossa portugalidade”, afirmou.

Perante uma plateia composta por representantes institucionais, autarcas, homenageados e centenas de vimaranenses, Miguel Pinto Luz recordou que São Mamede simbolizou a vontade de um povo que recusou depender de poderes externos e escolheu afirmar a sua liberdade. “Um povo que não aceitou ser governado por tutelas estrangeiras. Um povo que escolheu lutar, quis ser livre e ousou ser feliz”, sublinhou.

“A primeira tarde portuguesa”

Num dos momentos mais marcantes da sua intervenção, o ministro evocou uma obra do pintor Acácio Lino, datada de 1922 e exposta no Museu da Assembleia da República, dedicada à Batalha de São Mamede. O quadro tem como título “A Primeira Tarde Portuguesa”, expressão que Miguel Pinto Luz considerou particularmente feliz para descrever a dimensão histórica do acontecimento. “Neste simples título temos a noção do grandioso que foi e continua a ser a batalha que hoje celebramos”, afirmou.

Segundo o governante, essa obra desperta três sentimentos fundamentais: orgulho, agradecimento e responsabilidade perante o futuro. O orgulho surge da capacidade histórica dos portugueses para ousarem e vencerem desafios que pareciam impossíveis, desde a fundação do país até à expansão marítima que projetou Portugal no mundo.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

“Criámos uma nação que conta já com quase 900 anos. Um dos países com as fronteiras mais antigas da Europa. Um país que nasce aqui, em Guimarães, e que se tornou grande ao ponto de ser propulsor da globalização”, referiu.

Homenagem aos vimaranenses

Miguel Pinto Luz manifestou também um agradecimento especial aos vimaranenses, que considerou herdeiros dos valores de ambição e coragem demonstrados pelos protagonistas de São Mamede.

O ministro agradeceu ainda o convite do presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, e destacou o trabalho desenvolvido em torno das comemorações da fundação de Portugal. “Os vimaranenses, pela sua identidade, também foram ambição e coragem”, afirmou.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Na parte final do discurso, Miguel Pinto Luz rejeitou a ideia de que os portugueses sejam um povo marcado pela resignação ou pela nostalgia. “Há uma narrativa ainda vigente em Portugal de que os portugueses são um povo melancólico, resignado, sempre a olhar para o passado. Eu não acredito nisso”, declarou.

Para o governante, os portugueses continuam a possuir os mesmos valores que estiveram presentes em São Mamede: coragem, honra, liberdade e ambição. “Temos a força e os valores dos portugueses que lutaram em São Mamede. Temos a coragem. Temos o amor à honra e à verdade. Temos a ousadia de ser felizes”, afirmou.

Apelo às comemorações dos 900 anos

Miguel Pinto Luz defendeu que a Batalha de São Mamede não deve permanecer apenas como uma memória histórica, mas como uma inspiração para os desafios do presente e do futuro.

© Rodrigo Marques / Mais Guimarães

Por isso, lançou um apelo para que as comemorações dos 900 anos da batalha, em 2028, sejam uma oportunidade para mobilizar o país em torno de novos objetivos coletivos. “Temos de trazer São Mamede para o presente, celebrá-la, estudá-la, aprendê-la e, sobretudo, vivê-la”, afirmou.

O governante desejou que o espírito da batalha inspire “novas conquistas, novos desígnios e um novo futuro” para Portugal, assente na coragem, na ambição e na capacidade de tomar decisões difíceis. “Um futuro que nasce no Minho e se expande até ao Algarve. Um futuro com ousadia, liberdade e ambição”, concluiu.

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