A arte de gozar com quem paga impostos

Por Eliseu Sampaio,
Diretor do grupo Mais Guimarães

Ensinou-me o tempo que preocupante é quando o povo já não quer saber, já se habituou, já não discute, já não questiona e aceita tudo como sendo natural, “normal”. Quando o “se outros fossem, poderia ser ainda pior” e isto elimina a sua capacidade de escrutínio. Por isso, estou preocupado.

A resolução do Conselho de Ministros n.º 70/2021, aprovada a 27 de maio e publicada em Diário da República a 04 de junho, determina a realização das comemorações do 50.º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974 e cria uma estrutura de missão que as promove e organiza. A resolução começou a produzir efeitos no dia seguinte.

Essa estrutura de missão integra uma Comissão Nacional, nomeada pelo Presidente da República, um Conselho Geral, nomeado pelo Primeiro-Ministro, e uma Comissão Executiva, também nomeada por António Costa.

Até aqui tudo bem. Tal como na semana passada aqui sugeri que Guimarães iniciasse já o trabalho de preparação das comemorações dos 900 anos de Portugal, da Batalha de S.Mamede, em 2028, faz algum sentido que o país pense na comemoração dos 50 anos da Revolução dos Cravos. Embora, pessoalmente, julgue incomparável a relevância dos dois momentos, deixando claro que considero a queda do Estado Novo extremamente importante para a nossa geração e gerações vindouras, para a nossa vivência em maior liberdade e democracia, “pormaiores” que valorizo.

Parece-me completamente desajustado à realidade da empreitada que, por exemplo a “estrutura de apoio técnico” criada já, praticamente a três anos das comemorações, e que estará em funções durante cinco anos, seis meses e 24 dias, até 31 de Dezembro de 2026, e liderada pelo comissário executivo socialista Pedro Adão e Silva, possa ter um subcomissário, e seja constituída por três adjuntos, três técnicos especialistas, um secretário pessoal e um motorista, e ainda…. (como no 1,2,3) possa ser reforçada com mais quatro técnicos superiores recrutados em regime de mobilidade.

Considerando o vencimento do comissário executivo, dos cofres do Estado sairão, mensalmente, 3.745,26 euros acrescidos de 780,36 euros para despesas de representação, num “contrato” em regime de não exclusividade.

Bem, não fiz as contas aos gastos com esta estrutura, mas está fácil de perceber que não vai sobrar muito para o champanhe. Por isso, o povo que festeje a liberdade a água, pra ficar mais barato!

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