A CULTURA, A IGREJA, E A RELAÇÃO QUE MANTÊM. EM URGEZES, TROCARAM-SE UMAS IDEIAS SOBRE O ASSUNTO

Houve sobretudo convergências entre os intervenientes de uma conversa que almejou trocar ideias sobre a forma como a Igreja se relaciona com a cultura contemporânea (e vice-versa).

Conversa teve lugar no auditório da sede da Junta de Freguesia © Mais Guimarães

A cultura e a Igreja; a Igreja e cultura. Ambas as palavras andaram de mão dadas durante a troca de ideias sobre o lugar que ambas ocupam nas sociedades contemporâneas. Quem passou ontem, sexta-feira, pelo auditório da sede da Junta de Freguesia de Urgezes para ouvir o colóquio entre figuras da cultura vimaranense e da Igreja assistiu a uma conversa em que as convergências superaram as divergências.

“É importante falar da cultura na igreja e da cultura da Igreja. Farei uma introdução para mostrar que a igreja está atenta à cultura e que não são adversárias. Pelo contrário”, dizia, em jeito de antecipação, o pároco da freguesia Francisco de Oliveira. E assim foi. A ideia  de que cultura e igreja “devem complementar-se” ficou patente na primeira intervenção do padre. Os dados estavam lançados para uma conversa acerca do lugar e o papel da Igreja na Cultura Contemporânea. À ideia inicial, os intervenientes foram acrescentando perspetivas. Foram ouvidas cinco: o debate contou com a presença do Bispo Auxiliar de Braga, Nuno Almeida; do escritor Angelino Pereira; do pintor Arménio Sá; assim como Paulo Vieira de Castro, da Sociedade Martins Sarmento e a vereadora da Cultura da Câmara Municipal, Adelina Paula Pinto.

“A Cultura nunca pode deixar de lado a Igreja, nem a Igreja pode deixar de lado a Cultura. Quando olhamos para a cultura ocidental vemos a preponderância da Igreja”, referiu a vereadora. Na ótica de Adelina Paula Pinto ambas partilham desígnios similares: “Pessoas com acesso a Cultura são melhores pessoas. A Cultura faz pessoas melhores. Aproxima-nos. A Igreja tem este desígnio, que é fazer com que sejamos melhores pessoas”.

Pouco tempo antes, o Bispo Auxiliar de Braga, Nuno Almeida, desenhava uma conclusão idêntica. Sob o signo do Papa Francisco, o pároco realçou a importância do diálogo “sem nenhum complexo” com todas as manifestações culturais. O bispo acenou com a Parábola do Bom Samaritano, um exemplo da forma como a Igreja molda a cultura: “O Evangelho é semente de grande parte da cultura ocidental. As Igreja(s) não são suas proprietárias. A Parábola do Bom Samaritano é património da humanidade. Muitas das expressões da solidariedade bebem desta parábola”. Trata-se de um “desafio a diversas culturas para se desafiarem, em busca de uma sociedade mais bela, mais justa”, adiu.

O tempo e o 25 de abril

Mas a conversa não terminaria sem a visão de dois artistas convidados. Com um escritor e um pintor no painel de convidados foi o escritor Angelino Pereira o primeiro a tomar a palavra. A importância da viagem e da leitura para entender melhor o próximo foi o cerne da intervenção. O vimaranense apontou o dedo a uma sociedade onde, acima de tudo, “falta o tempo”.

Arménio Sá, pintor, colocou o enfoque no “fechamento” da Igreja durante “muito tempo” e que só após o 25 de abril houve uma “abertura à parte artísitica”. Apesar disso, o pintor lembrou a aliança entre a Igreja e arte: “Hoje já se vê nos espaços lúdicos de uma Igreja, concertos, música.

Na sua intervenção final, o Bispo Auxiliar de Braga deixou o compromisso de abrir mais as portas dos espaços religiosos para a realização de atividades culturais.

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